EnglishFrenchGermanItalianPortugueseSpanish
EnglishFrenchGermanItalianPortugueseSpanish

A (nova) geração do salário mínimo…!

A (nova) geração do salário mínimo…!

Depois de um curso de licenciatura que varia entre 3 a 5 anos, e em muitos casos de um mestrado (em média mais 2 anos), eis que fecha o final do curso no ensino superior e com ele o início de uma longa e dura batalha para entrar no mercado de trabalho.

Lá se começa com muita esperança e força, elabora-se um curriculum vitae o melhor que se pode e sabe, e após algumas pesquisas nos sítios do costume de anúncios de emprego (em sites de emprego, jornais, centro de emprego, entre outros), enviam-se os citados portefólios.

No início verifica-se o endereço electrónico todos os dias, a todas as horas na esperança de uma qualquer notícia, uma simples resposta, sobre o tão almejado emprego… Espera-se e desespera-se… Ainda com fé continua-se a procurar novos anúncios de oferta de emprego e lá se enviam mais uns quantos currículos, dezenas e depois centenas, até se lhes perder a conta…

Entretanto passaram 15 dias, depois de um mês, ou mais meses, e continua-se sem nenhuma resposta…! Nem que seja de agradecimento, ou de acusação de recepção de currículo…!

Já cansados de tentar, eis um dia que aparece a primeira resposta: “[r]egistámos o envio do seu currículo, mas de momento não estamos a recrutar…” e, acrescentam: “[c]ontudo o seu curriculum vitae permanecerá na nossa base de dados, caso não se oponha, e será contactado caso surja alguma vaga adequada ao seu perfil.”. E, passados mais 15 dias, sem nunca deixar de procurar por novas ofertas, eis que enfim chega a primeira marcação de uma entrevista…

Uau… E agora como me preparo para a entrevista? Lá se escolhe a roupa, se afina a voz e se vai destemido, assíduo e pontual para parecer bem numa entrevista de emprego… O nervosismo é grande, o coração bate rápido e o estômago aperta… Chegamos e somos apenas mais um, numa sala de espera cheia de candidatos… Procuramos onde sentar e tentamos sorrir timidamente para alguém… Mas ninguém nos parece ver ou querer ver… Depois de esperar uns 45 minutos (afinal chegámos 30 minutos antes da hora marcada), alguém se aproxima, chama pelo nosso nome, cumprimenta-nos e pede-nos o favor de a acompanhar até à sala da entrevista.

Entramos, convidam-nos a sentar… E começamos a ser interrogados… Sobre o passado profissional, sobre ocupação no presente e sobre os sonhos de vida… e os projectos que temos ou gostaríamos de ter… Sucedem-se e repetem-se as perguntas típicas: “[p]orque se acha o candidato ideal para o cargo?”. A conversa que começa tímida, passa a fluir normalmente à medida que ganhamos confiança… A entrevista termina e ficamos com a sensação de missão cumprida e que talvez venhamos a ser chamados para aquele emprego… Passam mais de 10 dias e nada, nem um telefonema, um e-mail, um simples contacto ainda que para informar que não se foi selecionado/recrutado/contratado… É desesperante, mas a nossa luta continua, tem mesmo que continuar, pois ainda não atingimos o nosso objectivo: um emprego… Entretanto fomos chamados para mais 3 ou 4 entrevistas e repetimos o mesmo percurso já descrito (escolha de roupa, pesquisa da localização da entrevista…Nervosismo…Espera pela entrevista, a entrevista decorre normalmente e ficam de dizer algo).

Entretanto passaram 2 meses e começam a vir algumas respostas a conta-gotas (as que vêm) e nenhuma das respostas das entrevistas é para nós… Ainda assim, sem esmorecer, continuamos a procurar novas ofertas de emprego e a tentar. Mais tempo de espera, mais marcação de entrevistas e, eis quando, alguém nos chama para uma segunda fase de entrevista, vamos confiantes que afinal talvez seja agora… Lá vamos confiantes, decorre mais uma preparação de entrevista e mais uma entrevista… Uma segunda entrevista, é desta…Só pode ser desta… Mas no final avisam que ainda haverá uma terceira fase para os 5 melhores candidatos… Certo, obrigada e vamos para casa a pensar: “[a]final mais quantas fases ainda faltam passar até ser selecionado”? Mas a timidez impediu de perguntar…! No final chamam-nos para mais uma fase, a terceira e a última fase… Bem vai ser desta… E quando chega a hora de apresentarem convite e falar em números, em remuneração… Oferecem o salário mínimo…. Uma vez que ainda não temos nenhuma experiência…. Mas ainda mais… É apenas só um estágio de 6 meses e a recibos verdes…!

Ora, é aí que somos “assaltados” pelo dilema de que: se foi pior a “luta” que travámos na procura de um emprego, ou o cair na (triste) realidade com a proposta de remuneração que recebemos – o salário mínimo para alguém que tem licenciatura e/ou mestrado? Bem, não se concorda com o valor, mas “[c]omo está tão mau de empregos, ou aceitamos este ou ficamos sem nada.

Como é possível? Investimos tanto nesta geração, com tanta graduação, e para quê? Para vir a receber (e caso se consiga uma oferta de emprego) o salário mínimo, num vínculo precário e sem as mínimas condições de trabalho? Mas e os direitos dos trabalhadores? O direito a uma retribuição segundo a quantidade, a natureza e qualidade? O direito a uma existência condigna? O direito à segurança e estabilidade no emprego? Todos eles direitos fundamentais previstos na Constituição da República Portuguesa!?

Somos a geração das graduações, a geração dos estágios que se repetem, dos vínculos precários, dos empregos mal remunerados… Tudo cumulativamente. Mas até quando?

Que país é este em que vivemos, o qual investe na formação dos seus jovens a nível do ensino superior, para posteriormente permitir a chamada “[f]uga de cérebros para o estrangeiro”? Cá dentro merecemos o salário mínimo, mas lá fora ganhamos prémios de mérito e distinção? Porquê? Talvez valha a pena pensar um pouco nisto tudo…!

Descarregar artigo em PDF:

Download PDF

Partilhar este artigo:

Share on facebook
Facebook
Share on twitter
Twitter
Share on linkedin
LinkedIn
Share on email
Email

TAGS

Deixe uma resposta

O seu endereço de email não será publicado.

LOGIN

REGISTAR

[wpuf_profile type="registration" id="5754"]