Se não pode vencê-los, junte-se a eles!

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Nem mesmo a pandemia da Covid-19 foi capaz de impedir os protestos na Bielorrússia. Protestos contra governos autoritários, ou em razão de insatisfações generalizadas, e mídias sociais tem uma estreita relação desde a Primavera Árabe. O caráter de transnacionalidade dessas mídias e sua velocidade as tornam um novo canal para os debates ou, ao menos, um excelente meio de divulgação ao exterior das pautas dos protestos. O Facebook, durante a Primavera Árabe, teve grande destaque, em especial como forma de pressão exercida sobre as esferas de poder.

Na Primavera Árabe, as mídias sociais não eram o principal canal de organização dos protestos, mas foram usadas como forma de divulgação ao Ocidente do que ocorria naqueles países. É importante ressaltar que, em 2010, ano do início da Primavera Árabe, 28,7% da população mundial tinha acesso à internet. Em 2019, esse número alcançou os 53,6%[1]. Ainda que o crescimento seja contínuo o acesso ainda permanece muito desigual, posto que a maioria dos desconectados vive em países menos desenvolvidos.

Os protestos em Hong Kong, em 2019, elegeram um novo meio para informar ou convocar os cidadãos, o App Telegram. Ainda em 2019 algumas suspeitas de sabotagem ao App foram relatadas. Essa escolha foi seguida por outros movimentos pelo mundo. Na Tailândia o governo bloqueou o Telegram para impedir a convocação de manifestações do movimento estudantil contra o governo local.  

Não foi diferente na Bielorrússia. O Telegram é o eleito para convocar os protestos e transmitir informações. Uma das possíveis razões dessa escolha, em diferentes países, pode estar centrada nas funcionalidades do App. Diferente de seu maior concorrente – o Whatsapp – o Telegram permite a criação de grupos com limites de 200 mil membros, que podem ser privados ou configurados como públicos. E os canais têm número ilimitado de participantes. Esses canais permitem que o moderador dissemine a informação de maneira mais rápida para um enorme número de seguidores, o que não é possível em outros serviços de mensagem.

Em 5 anos, o Telegram saltou de 60 milhões para 400 milhões de usuários. Como afirma Lukashenko, ninguém tem como parar o Telegram. Essa a razão pela qual ele mesmo passou a usar o serviço de mensagens ao criar um canal próprio no App e passou a divulgar informações contra os protestos na Bielorrússia.

Muitas são as questões que envolvem o uso de mídias sociais na esfera pública, dentre elas até que ponto as mídias sociais influenciam de fato os debates públicos, não há muitas certezas nesse campo, e, como vemos a tecnologia é parte do mundo atual e estará cada vez mais presente.

Imagem gratuita em Pixabay (terimakasih0)


[1] https://news.un.org/pt/story/2019/11/1693711

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