A frase é de Napoleão Bonaparte dita em Erfurt, durante a apresentação de “La Mort de César”  para uma audiência de reis e rainhas, levada à cena pela ‘Comédie-Française’ com Talma como Brutus, que pergunta a Napoleão por qual razão a escolha desta peça. Ao que ele responde que queria “démontrer qu’il etait toujours républicain”. Quem conhece o rumo da história napoleônica sabe perfeitamente o quanto de falsidade havia nessa afirmação.  

No entanto como toda ação humana é política, lato senso, sempre então quando é em relação ao outro, ao próximo, ao vizinho,  ao co-cidadão, não haverá como remediar essa situação. Porém como também política é sistema, ciência e arte, maximiza seu entendimento e ação para universos sociais que englobam alargados grupos humanos, e com isso generaliza-se, desmaterializando o ator, fazendo por perder sua identidade e intenção pessoal, mais do que numa identidade colectiva, e sim com uma intenção abstrata, não qualificável, não determinável, sujeita a interesses pouco claros, com ritos próprios e capacidades maliciosas. 

Os interesses determinam o aspecto desta sua face, que, individuais ou colectivos, moldam suas intenções, configuram sua ação. É nesta sua forma de ser, neste seu modo de agir, que encontramos sua fatalidade mais pecaminosa, aquela a qual Napoleão queria escusar-se, pois que as classes sociais moviam-se para recompor seus interesses, e a coisa que, com a Revolução Francesa, tinha se tornado pública, tinha caído aos pés do povo nas ruas de Paris, vai voltando lentamente para a mão dos poderosos, poder de influência, poder econômico, poder cultural, e poder de status, de presença, de qualidade, poder que os ‘citoyens’ não possuíam, nem viriam a possuir, tão rapidamente mudou outra vez de mão o poder e a coisa pública, voltando a rês (res) ao seu curral, com uns quantos novos donos.

Ao longo da História sempre há um 18 Brumário!

Noutras revoluções onde esses interesses mantiveram-se nas mãos daqueles que galgaram o poder, fizeram apenas por criar uma nova classe de poder, substituindo uma elite por outra, que não sendo da mesma forma, o que teria de melhor? Nada, foi apenas mais ousada e efetiva. Esta é a história da Humanidade: Nunca fomos governados por sábios, por cientistas, por valorosos estudiosos! O sonho democrático grego morre sempre na mesma praia, e é esta a fatalidade. 

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