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Os meandros do casamento — Leopoldina e Pedro.

Os meandros do casamento — Leopoldina e Pedro.

  1. O mundo deixava de ser clássico para ser romântico, o que era mais-que-tudo uma mudança na forma de sentir, penso não poder haver maior mudança, ao mudar a forma de sentir de uma pessoa muda-se tudo: seu pensamento, sua lógica, sua sensibilidade, seus gostos, seus hábitos, enfim sua forma de ser. Peço-Vos que não busquem nesse livro objetividade histórica, uma vez que vejo as coisas desde outra perspectiva, posto que não acredito na filosofia histórica, porque não vejo perfeição no mundo, nem em mim.
    Agora que se passaram quatrocentos e cinquenta anos de que este Rio de Janeiro se fundou na contingência de defender esta baía de águas tão calmas, onde os franceses se haviam instalado, promovendo a preocupação portuguesa de que o imenso território que tinha nas mãos teria de ser ocupado rapidamente se o queriam manter, e que passados duzentos e cinquenta anos daquela sua fundação, o vamos encontrar aqui como capital do Império, com o seu Rei morando nele, coisa nunca vista entre os Impérios europeus, tendo deixado Portugal, portanto a capital do Reino do Brasil, que no final deste ano se iria constituir, assumindo uma posição de destaque no cenário mundial, concernente à sua pujança, e as suas riquezas, que deixaram de circular já há sete anos por intermédio de interpostos negociadores residentes em Lisboa, para passarem a ser diretamente negociadas pelos próprios ‘brasileiros’, começando o Brasil a assumir a posição de destaque que lhe é devida, e, que, com este casamento, do qual lhes conto sua gênese até a faustosíssima festa que se realizou em Viena para celebrá-lo, mais longe irá, e em maiores alturas ousará planar, na consequência de um brilho e poder que não se poderia mais tentar ocultar e tentar constranger, e a ação de Marialva em Viena muito ajudará ao processo, como se verá. Alteração que mudando as relações da metrópole com a colônia, passando mesmo a colônia a ser metrópole, na inversão desta lógica colonial com a qual se passou a dizer, porque rima em português e irritava solenemente aos portugueses: ‘Encomenda sem dinheiro fica no Rio de Janeiro’.
  2. Os anos se vão somando, e os séculos se completam, agora dois, sobre este casamento que mudou Portugal e o Brasil para sempre, duas centenas de anos que iremos reviver, porque a memória é vida, e tenho esta gente bem viva porque deve ser lembrada e relembrada pelo que fez, e quero que as personagens saltem do papel e venham dançar à sua frente, com suas qualidades e defeitos, com suas vontades e desleixos, com suas verdades e segredos, mostrando e demonstrando tudo o que se passou. Trazendo-vos o gosto das coisas, não mortas nem vivas, mas eternas, como são as coisas do passado, que como fatos imutáveis conquistaram este estatuto, e que devem ser apresentados em sua plena extensão para fazerem-nos viver com eles e com as personagens que os protagonizaram, com tudo aquilo que representam e que, chegados até nós, dizem-nos do rumo de nossas vidas, rumo que estas personagens traçaram com suas ações e omissões, e que foram estas mesmas ações e omissões, hoje eternas, que moldaram tudo que aí está, e a que chamamos ‘status quo’, ou realidade presente, e que é a materialização em somatório, como consequência, de todos os atos que se fizeram antes. E alguns se nos vão revelando por seus testemunhos, os quais vamos ocasionalmente encontrando e descobrindo. Aqui também assim foi.
  3. Foi preciso sorte, disposição, ganas, perseverança, paciência, tempo e disponibilidade! Os pré-requisitos necessários, indispensáveis mesmo, para produzir uma obra como essa. Onde teremos que retirar do Danúbio suas ninfas, suas ondinas e todos os espíritos fantásticos que o habitam, para que venham prestar reverência a esta festa plena de maravilhas, assim como Strauss o fez com sua música no tempo da festa, quero eu fazer com meu pálido verbo ao relatá-la, quero dar vida ao ter memória. Náiades venham dançar! E como o Danúbio, também a Guanabara e seu perdido Janeiro, e também o Tejo, o Moldava, o Sena, o Lago di Lèsina, ou o di Varano, e ainda outras muitas hidrografias com suas entidades mitológicas, tágides, melíades, multíplices potâmides, e também venham seus fantasmas, seus espíritos benfazejos ou maléficos, para além de outras entidades manifestas que conformam a paisagem histórica, sem nada esconder, que estes são o invisível, o impalpável, mesmo o imponderável, sua alma, suas gentes e paisagens diversas, que sendo o que se pode ver e perceber de suas ações, pois tudo se combina. E que como ao sátiro de Bouguereau elas me conduzam a banho lustral, ou batismo, minhas noivas que são, e destarte ao destino revelador dos mistérios, pois os trazendo à memória, revelo-lhes a presença, personagens que estão conosco vivas, vivas na vida que nos legaram, na forma como as coisas se passaram e chegaram até nós. Vivas! Já que só vivem os que se fazem lembrar.

Partindo desses três focos, o do contexto, o da materialização, e o da factualidade, dediquei-me 25 anos a estudar esse assunto do elo entre o Brasil e a Áustria, que levou a Independência do Brasil, tendo como geratriz o casamento de D. Pedro e D. Leopoldina, que desaguaram numa série de acontecimentos que determinam a enorme mudança mundial do XIX, com a instituição da liberdade e voz dos povos, antes sujeitos ao silêncio do poder absoluto. Vos trago a reflexão toda a teia de interesses que eclodiram nesta época como nova realidade inesperada à conta de ideias novas que se espalharam pelo mundo, criando entendimentos, sentimentos e organização tão diversa da vigente até então. Com esses dados escrevi esse livro que Vos apresento como ferramenta para a compreensão da realidade a partir dos fatos que a moldaram com as sucessivas mudanças que foram ocorrendo.

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