Pandemia diminui peregrinos nos Caminhos de Santiago

Pandemia diminui peregrinos nos Caminhos de Santiago

O Caminho da Geira e dos Arrieiros foi o itinerário escolhido por mais de um terço dos peregrinos que partiram de Braga no ano transato com destino a Santiago de Compostela. Segundo a informação veiculada pelas associações do setor, noticiada no jornal O Amarense e no Notícias de Famalicão, a atual pandemia provocou um grande impacto na diminuição do fluxo de pessoas utilizadoras dos Caminhos de Santiago. 

As saídas de peregrinos a partir de Braga, diminuíram 75,4% quando comparadas com o período homólogo. Esta conclusão pode ser extraída a partir da leitura dos dados revelados na passada terça-feira, dia 05 de janeiro, pelo gabinete de imprensa da Catedral de Santiago de Compostela, na Galiza (Notícias de Famalicão, 2021). 

As estatísticas da frequência dos caminhos de Santiago, revelam que “apesar da grande diminuição verificada na frequência dos percursos iniciados em Braga, ela é, mesmo assim, inferior à média geral” de frequência dos caminhos, que registam uma quebra 84,5% em relação a 2019 (O Amarense; Notícias de Famalicão, 2021).

Pode consultar dados estatísticos em: https://oficinadelperegrino.com/en/statistics/ 

A Associação Codeseda Viva, a Plataforma Berán no Caminho e La Asociación Camiño Xacobeo Miñoto Ribeiro – Associação do Caminho Jacobeu Minhoto Ribeiro (ACJMR), são algumas das mais de três centenas e meias de organizações da sociedade civil, “amigas” dos Caminhos de Santiago, que têm como objetivo a documentação, recuperação, preservação e oficialização das rotas de peregrinação para Compostela. 

Em entrevista para A Pátria os principais responsáveis destas organizações, Abdón Fernández (Presidente da Associação do Caminho Jacobeu Minhoto Ribeiro – ACJMR) e Carlos de Barreira (Presidente da Associação Codeseda Viva) destacam o forte impacto económico sentido nas empresas do sector turístico, “pequenos negócios familiares”  da hotelaria e da restauração que inferem na perda de emprego.

Também o jornalista Carlos Ferreira, pioneiro do “Caminho da Geira e dos Arrieiros” – o primeiro a fazer sozinho o traçado certificado pela Igreja – autor do livro “Alguma Dor Cura a Alma” centrado no Caminho de Santiago, destaca que, se por um lado, há “zonas em que a menor afluência de peregrinos está a ser aproveitada para se proceder a trabalhos de manutenção”, por outro lado, a par do impacto económico sentido, levando “à falência de sector turístico”, “há outro grande impacto, mas bastante difícil de medir”: a impossibilidade dos peregrinos fazerem o caminho pode afetar “o equilíbrio da sua saúde nos diferentes níveis”. Originando “ansiedade e “saudade”, acrescenta. 

Os três especialistas e entusiastas dos Caminhos de Santiago, preponderantes na divulgação deste património, concederam à Pátria as suas respostas às questões levantadas por este jornal:

Quais os impactos da diminuição do número de peregrinos nos Caminhos de Santiago? 

Em relação à pandemia e à passagem de peregrinos, no final do verão ainda passaram alguns por aqui, sobretudo ciclistas (bicigrinos). Portanto, aqui em Berán registámos a passagem de umas cinquenta pessoas, no Caminho da Geira e dos Arrieiros, principalmente “bicigrinos”. Por isso, o impacto da pandemia neste, como nos outros caminhos, foi negativa, como é lógico não favoreceu nada os peregrinos, até porque chegaram a estar fechadas as fronteiras entre Galiza e Portugal, país de origem de 80% dos peregrinos do Caminho da Geira e dos Arrieiros. Abdón Fernández (A.F.)

Os principais impactos que vemos são dois dous: por un lado están os peregrinos que tiñan a ilusión de ir a Compostela e non o puideron facer, máis creo que cando o fagan chegarán aínda máis ilusionados. O lado máis triste vémolo en moitos negocios familiares que foron crecendo á beira dos caminhos de Santiago e, o parón na chegada de peregrinos, poida que fixese pechar a moitos deles e pasar por grandes dificultades ó resto.  Carlos de Barreira (C. B.) – escreve em Galego

O impacto é, sobretudo, económico, ao nível da perda de emprego e da falência de empresas do sector turístico/restauração/hotelaria (ver penúltima questão e links). Nas restantes vertentes, e não menos importantes, não haverá impacto – todas as características que suportam o destino estarão intactas à espera dos peregrinos no pós-pandemia. E há até zonas em que a menor afluência de peregrinos está a ser aproveitada para se proceder a trabalhos de manutenção, como remarcação com as famosas setas amarelas. Há outro grande impacto, mas bastante difícil de medir. É nos peregrinos e resulta de não puderem fazer o caminho, porque muitos fazem-no, anualmente, e por múltiplas razões que contribuem para o equilíbrio da sua saúde nos diferentes níveis. Neste aspeto é grande a ansiedade e a saudade. Carlos Ferreira (C.F.)

Quais os impactos ao longo do percurso do Caminho da Geira e dos Arrieiros?

Este Caminho, ao ser tan novo, sufriu dunha maneira diferente ó resto a cancelación das peregrinacións. No ano 2017 pasaron 114 peregrinos, no 2018 pasaron 221 e en 2019 foron 862. A principios do ano 2020 chegaron a xuntarse 200 peregrinos facendo o Caminho, por etapas durante os fins de semana (ían en autocarro un sábado ou un domingo, facían unha etapa e voltaban para a casa ata fin de semana seguinte), pero ningún destes grupos puido chegar a Compostela antes do peche pola pandemia. A cifra esperada para o ano 2020 eran entre 2.500 e 3.000 camiñantes, pero ó final quedouse en 143 peregrinos. Esto supuxo un freno á consolidación deste Caminho e a paralización de varios proxectos de novos aloxamentos que estaban planificándose, algo que era moi necesario e agora vai pasar máis tempo ata que estén dispoñibles. Esto é o aspecto negativo, máis estamos notando un gran interese de peregrinos que agora se están plantexando ir por camiños menos transitados e, como o Caminho da Geira e dos Arrieiros encaixa perfectamente nese requisito, creemos que nos próximos meses vai a ter unha acollida moi positiva. (C. B.) – escreve em Galego

Neste caso, e por se tratar de um caminho recente, não há impactos. Aliás, nas atuais circunstâncias, até regista uma descida de peregrinos abaixo da média de todos os caminhos da Península Ibérica. Por outro lado, por ser um traçado difícil devido ao seu relevo e isolamento, nalgumas zonas, aparenta estar a salvo da massificação que se verifica noutros itinerários. (C.F.)

O Caminho da Geira e dos Arrieiros é o mesmo que Caminho Minhoto Ribeiro?

A nossa associação (ACJMR) foi a que em 2017 apresentou em Braga o traçado original do caminho até Santiago de Compostela, hoje chamado Caminho da Geira e dos Arrieiros. É um traçado que reflete também o comércio desde Portugal, pela Geira e atravessando a região de O Ribeiro, que foi muito importante para a economia na época medieval. Por exemplo, as zonas de Beade e de Berán são duas daquelas que protegiam a passagem dos peregrinos para Santiago de Compostela. Esta região tem um património muito importante em relação à passagem de peregrinos, ao comércio do vinho, às termas, ao património construído e cultural, à riqueza natural, todos em respeito pela filosofia do peregrino que busca descobrir o mundo rural, o respeito pela natureza, o meio ambiente e a sustentabilidade. Além do mais, se a estes aspetos juntarmos a Geira, este é sem dúvida um caminho único. O património ao longo do seu percurso merece o mesmo destaque que zonas como as de O Cebreiro, no caso do Caminho Francês, e possui referências patrimoniais e etnográficas muito importantes. Entretanto, foi fundada em 2014 uma associação de concelhos que apresentou outro traçado Braga-Santiago de Compostela, mas diferente do nosso. Portanto, os dois caminhos são diferentes e da responsabilidade de diferentes entidades. A associação dos concelhos tem fundamentos mais ligados à política e a nossa é uma organização particular, amadora, cujo único objetivo é promover o caminho e ajudar os peregrinos e as populações locais abrangidas pelo traçado. (A.F.)

Non. O Caminho da Geira e dos Arrieiros foi certificado pola Igrexa en marzo de 2019 e o Camiño Miñoto Ribeiro foi certificado en decembro de 2020. Son certificados distintos e caminhos distintos. O Geira Arrieiros sae de Braga pola Geira Romana, ten 240 km e chega directamente a Compostela. O Minhoto Ribeiro sae de Braga cara Vilaverde e despois vai por Monçao, ten 270 km e non chega a Compostela, senón que desemboca na Ruta da Prata. (C.B.) – escreve em Galego

Os caminhos são diferentes, mas têm uma origem comum e são os únicos que têm como ponto de partida Braga, cujas ligações a Santiago de Compostela são históricas e conhecidas. Em 2009 foi fundada em Berán, no Concelho de O Ribeiro (província de Ourense, na Galiza) a Associação do Caminho Jacobeu Minhoto Ribeiro (ACJMR), cujo objetivo é estudar e promover o caminho jacobeu que liga Braga a Santiago de Compostela, pela estrada da Geira (um troço da via XVIII do Itinerário de Antonino, ligando Bracara Augusta à Asturica Augusta, atual Astorga). A determinada altura da sua existência, alguns dos elementos abandonaram a associação e vieram mais tarde, em 2014, a integrar a Associação dos Concelhos do Caminho Minhoto Ribeiro (associação dos concelhos), fundada naquele ano. Esta associação é constituída pelos municípios portugueses e galegos por onde passa o caminho. Um momento decisivo para o Caminho da Geira e dos Arrieiros aconteceu em fevereiro e abril de 2017, quando Abdón Fernández, presidente da ACJMR apresentou em Ribadavia (Galiza) e em Braga (1 de abril de 2017), uma proposta de traçado do caminho, que quase de imediato foi adotada pelos peregrinos que começaram a percorrê-lo, estimando-se que mais de mil o tenham feito desde então. Em Braga assistiram à apresentação elementos da Associação Codeseda Viva (ACV), Concelho de A Estrada (província de Pontevedra, na Galiza), nomeadamente o seu presidente, Carlos de Barreira, que viria a assumir importância decisiva neste caminho que liga Braga a Santiago de Compostela, na distância oficial de 239 quilómetros. 

Nestes últimos quatro anos, a ACJMR e a ACV uniram-se na defesa do Caminho da Geira e dos Arrieiros, que em 28 de março de 2019 foi reconhecido pela Igreja de Santiago de Compostela como itinerário oficial de peregrinação jacobeia, passando a ser atribuída a Compostela aos peregrinos que o fazem. Neste caso concreto, a ACV teve um papel decisivo, já que foi ela que reuniu e entregou à Igreja a documentação necessária para o reconhecimento do caminho (até então conhecido também como Caminho Jacobeu Minhoto Ribeiro. Foi também reconhecido pela associação de municípios transfronteiriços Eixo Atlântico a 16 de novembro de 2020. Passou a chamar-se Caminho da Geira, obviamente para salientar o património único da estrada romana, e dos Arrieiros, para salientar a vertente económica histórica deste caminho; que é, assim, a reposição de uma rota de peregrinação e de comércio entre Braga e Santiago de Compostela. Mas, note-se, fê-lo usando o trajeto estudado pela ACJMR, introduzindo apenas uma alteração na parte final para, precisamente, passar na zona onde tem sede – alteração que também tem suporte documental histórico. Neste momento, o Caminho da Geira e dos Arrieiros espera a homologação pelo Governo Regional da Galiza. (C.F.)

Em relação à associação dos concelhos, ao integrar elementos dissidentes da ACJMR, ficou na posse da documentação que lhe permitiu igualmente desenvolver uma proposta de um caminho que liga Braga a Santiago de Compostela e que recentemente foi também reconhecido pela Igreja de Santiago de Compostela. Este caminho difere do da Geira e dos Arrieiros nos primeiros troços, em Portugal (propõe três entradas em Espanha), e nos últimos, à chegada a Santiago de Compostela, sendo praticamente coincidentes na região de O Ribeiro. O Caminho da Geira e dos Arrieiros é hoje reconhecido como o “caminho original” (por respeitar o traçado apresentado a 1 de abril de 2017) e único no mundo por incluir a estrada da Geira (a maior e mais bem conservada via romana do mundo) e atravessar o Reserva da Biosfera Transfronteiriça Gerês-Xurés. (C.F.

O aumento do número de peregrinos contribui para a sustentabilidade do destino, permitindo a manutenção e preservação paisagística dos caminhos ou ao invés contribuem para a sua deterioração?

O aumento do número de peregrinos no caso do Caminho da Geira e dos Arrieiros é positivo, porque é recente e muito longe de ficar saturado, se é que algum dia ficará, porque as suas características de montanha dificultam essa ocorrência. É positivo porque é a passagem dos peregrinos que ajuda a mantê-los vivos, a preservá-los, e a continuarem a fazer parte da história material e imaterial dos territórios. Além disso, ajuda a fixar a população e à sustentabilidade dos meios rurais. Os caminhos são para desfrutar, para aproveitar o que nos ensinam e não para transformá-los em estradas de alcatrão. Além disso, permitem-nos ver de perto um património que reflete uma história de muitos séculos, muito enriquecedora. (A.F.)

Neste Caminho o paso de peregrinos contribúe enormemente á posta en valor e conservación do entorno e paisaxe. A pesar do pouco tempo que leva recoñecido pola Igrexa, xa se recuperaron, mantendo as características tradicionais, varios tramos de camiños que levaban pechados máis de 40 anos. (C.B.) – escreve em Galego

A questão não permite uma resposta de sentido único. Depende. Por exemplo, no caso do Caminho Francês, o mais percorrido, há troços claramente saturados por peregrinos e turigrinos, criando um peso excessivo e pondo em causa a sustentabilidade do destino. Acontece neste caso, como em qualquer destino turístico do mundo, seja religioso ou não. Este problema coloca-se, sobretudo, nos últimos 100 quilómetros dos itinerários, a distância mínima a percorrer a pé ou a cavalo para se obter a Compostela (em bicicleta é necessário percorrer 200 quilómetros). Pelo contrário, há inúmeras aldeias e vilas espanholas que subsistem apenas devido à passagem dos peregrinos – cada peregrino gasta em média mil euros para fazer uma peregrinação (incluindo na preparação e regresso a casa). Na peregrinação propriamente dita, estima-se um valor médio entre 35/40 euros/dia (a pé) e de 55/60 euros/dia (de bicicleta).

O turismo religioso assume também grande importância, sobretudo no norte de Espanha e ainda mais na Galiza, pelo seu impacto económico e os peregrinos tradicionais (os que chegam a pé, de bicicleta ou a cavalo) são também grande divulgadores do destino Santiago de Compostela, que recebe anualmente 5 milhões de turistas (8 milhões no Ano santo Jacobeu de 2010). E, para que isso aconteça, há, genericamente, a preocupação de cuidar da paisagem sócio-cultural, ambiental e patrimonial. Nem sempre com todo o sucesso e às vezes até com a introdução de elementos e alegadas melhorias que desvirtuam a essência do caminho.

O impacto em Portugal não está estudado, que eu conheça, mas não haverá grandes diferenças. Note-se que o Caminho Português é o segundo mais procurado pelos peregrinos (apenas atrás do Caminho Francês) e os portugueses encontram-se no quinto lugar entre os que mais se deslocam a Santiago de Compostela (17.450 em 2019).

Nos caminhos menos saturados de peregrinos e turigrinos, como é o caso do Caminho da Geira e dos Arrieiros, os elementos essenciais sob os diferentes pontos de vista mantêm-se sustentáveis. A amplitude da riqueza natural e patrimonial do Caminho da Geira e dos Arrieiros transporta-nos aos tempos ancestrais dos romanos e da construção da Catedral de Santiago de Compostela, percorrendo florestas, bosques e vinhedos, atravessados por rios largos e pequenos ribeiros, onde a nossa presença ainda surpreende os animais no seu ambiente natural. É um itinerário de espiritualidade, descoberta e aventura, que convida os peregrinos a regressarem ao verdadeiro Caminho. (C.F.)

Quais os desafios para o futuro das associações e das comunidades na valorização e divulgação deste património?

Este caminho contribui para a variedade de propostas para chegar a Santiago de Compostela e, nesse sentido, ajuda a evitar o aumento da densidade de peregrinos que já se verifica noutros itinerários. Nós estamos a preparar diversos eventos para promover este caminho e temos projetado para 28 de março de 2021 fazer a comemoração em Berán (Km 100 do trajeto) da certificação do caminho pela Igreja de Santiago de Compostela, pelo arcebispado de Santiago, com a colocação de uma escultura dedicada às peregrinações. Além disso, será apresentado um livro sobre a história de Berán. Além disso, estamos a pensar promover no futuro outras ações transfronteiriças, com associações e municípios de Portugal, com as povoações do caminho, como sejam conferências, espetáculos, exposições, ações de aproveitamento das termas. Isto, destacando que Berán fica a 100 km de Santiago de Compostela, precisamente a distância mínima para se obter a Compostela. (A. F.)

O principal desafío e que os peregrinos teñan sitios para comer e durmir cada 10 ou 15 km, xa que na actualidade hai tramos de máis de 20 km sen ningún tipo de servicio. Concluír a sinalización en todo o percorrido tamén é outro dos desafíos que aínda non foi logrado. O seguinte reto é que, unha vez xa recoñecido pola Igrexa, sexa oficializado polos gobernos portugueses e galegos e se invirta nel para melloralo. En canto á divulgación, temos a sorte de que os peregrinos que o percorreron acabaron converténdose en embaixadores desta ruta, recomendándolla ás súas amistades e coñecidos, o que xerou unha enorme divulgación, sobre todo entre os peregrinos que xa percorreron varios camiños, que fai que o reto da divulgación, aínda que sempre se pode mellorar, xa se pode dicir que está logrado. (C.B.) – escreve em Galego

A questão é sempre a de saber onde está o equilíbrio e como o manter. As associações têm feito, genericamente, em Portugal e Espanha, um trabalho extraordinário de valorização e divulgação do Caminho de Santiago. Aliás, estou convencido que sem elas, muito do seu património material e imaterial já se teria perdido. Os municípios e os governos (sobretudo os governos nacional e regionais espanhóis e desde a década de 80 do século passado) e até a União Europeia têm investido bastante neste produto turístico, que abarca todas as vertentes (religioso, aventura, natureza, desportivo, saúde, gastronomia, cultural…). E as comunidades, até como das principais interessadas na passagem dos peregrinos, também têm desempenhado o seu papel. A questão é a de saber se o excesso de peregrinos e turigrinos não será, no futuro, a morte dos fatores que suportam a sua popularidade. Mas, para isso, não tenho, nem resposta, nem solução, infelizmente. Como definir e manter o número de peregrinos ideal, além do mais num espaço aberto, de acesso público, impossível de fechar e com múltiplas entradas? Em 1987, o Conselho da Europa reconheceu o Caminho de Santiago como primeiro Itinerário Cultural Europeu. Em 1993, o Caminho Francês foi declarado Património da Humanidade, em 2004 recebeu o Prémio Príncipe das Astúrias da Concórdia e, no verão de 2015, os caminhos Primitivo e do Norte foram também reconhecidos pela UNESCO como Património da Humanidade. Há neste momento uma proposta para inclusão na lista da UNESCO do Caminho Português. (C.F.)

Além dos Caminhos da Geira e dos Arrieiros e do Caminho Minhoto Ribeiro, existe um outro, o Caminho de São Rosendo, que pretende a homologação.  

O Vice Presidente da Comissão Europeia, Margaritis Schinas, destaca a importância do(s) Caminho(s) de Santiago, em comunicado transmitido por ocasião do início do “Ano Santo Jacobeu 2021”. Fazendo votos de “alegria, prosperidade e boa saude” a responsável política europeia destaca que “as rotas do Caminho de Santiago foram uma artéria pela qual circularam pessoas e ideias, formas artísticas e um modo de vida por todo o continente” (Europa Press, 2020).

Fontes: Associação Codeseda Viva, Carlos Ferreira, Plataforma Berán no Caminho.

Fotos D.R.: Cortesia Caminho de Santiago / Carlos Ferreira

Referências:

Europa Press. (2020, dezembro 31). El vicepresidente de la Comisión Europea reivindica la importancia del Camino de Santiago. Disponível em: https://www.europapress.es/galicia/xacobeo-00624/noticia-vicepresidente-comision-europea-reivindica-importancia-camino-santiago-20201231180709.html

Notícias de Famalicão. (2021, janeiro 5). Pandemia reduziu 75% os percursos a partir de Braga. Disponível em: https://www.noticiasdefamalicao.pt/pandemia-reduziu-em-75-o-numero-de-peregrinos-a-ir-de-braga-a-santiago-de-compostela/

O Amarense, Jornal. (2021, janeiro 6). Um terço dos peregrinos que parte de Braga segue o Caminho da Geira. Disponível em: https://oamarense.pt/um-terco-dos-peregrinos-que-parte-de-braga-segue-o-caminho-da-geira/

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