Centros Ciência Viva são exemplo de boas práticas na igualdade de género

Centros Ciência Viva são exemplo de boas práticas na igualdade de género

No data em que se assinala o Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência, instituído pelas Nações Unidas, decorreu nesta manhã, a partir do Pavilhão do Conhecimento (Lisboa), um debate com transmissão online organizado pelo Centro Ciência Viva em parceria com a Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas (AMONET) com o objetivo de promover a reflexão sobre a participação das mulheres e raparigas na ciência, engenharias e tecnologias, “para inspirar as novas gerações para percursos académicos e profissionais nestas áreas”, refere o departamento de comunicação da Ciência Viva.

No âmbito deste evento foi também dado a conhecer os resultados do projeto “W_Impact_S: Women Impact Science”, realizado por duas investigadoras portuguesas, que procura identificar o modo como as mulheres são representadas em espaços de comunicação científica, como museus e centros de ciência. O estudo promovido pela AMONET identificou uma “série de boas práticas nos Centros Ciência Viva que mostram a preocupação e sensibilidade destes espaços na promoção da igualdade de género na ciência e no incentivo às futuras gerações pela carreira científica, ou simplesmente pela ciência enquanto forma de pensamento“. A sessão virtual desta apresentação aberta esteve aberta a todos os públicos, estando disponível para visualização na página www.cienciaviva.pt e em: https://www.youtube.com/watch?v=PV29FYI0YJc&feature=emb_title

Este Centro Ciência Viva foi um dos objetos do estudo levado a cabo pelas investigadoras Mariana Soler (IHC-UE) e Isabel Lousada (CICS -UNL) – também Editora-chefe da Herança, Revista de História, Património e Cultura (Ponteditora) – que citam como boas práticas a exposição digital “Mulheres na Ciência”, pela “visibilidade a investigadoras portuguesas contemporâneas, servindo de referência para meninas e jovens de que a ciência é uma opção profissional possível para todas”. Refere-se o facto da robô Viva, anfitriã do museu, ser uma personagem feminina como uma boa prática do Pavilhão do Conhecimento, “visto que ainda são poucas as mulheres inseridas no campo da Robótica e Tecnologia, permitindo mais uma quebra de estereótipos e mais uma ação afirmativa neste campo”.

A sessão de abertura contou com as intervenções de Ana Noronha, Diretora Executiva da Ciência Viva e de Maria José Costa, Presidente da Associação Portuguesa de Mulheres Cientistas (AMONET).

Jovens investigadoras partilham testemunhos emotivos

Na mesma sessão de apresentação quatro raparigas portuguesas – Carolina Almeida, Joana Silva, Lara Alves e Raquel Moreira – partilharam os seus testemunhos “sobre a forma como a ciência entrou nas suas vidas e veio para ficar“. Sobre as jovens investigadoras, de destacar que Carolina Almeida foi a vencedora do “Concurso de Ideias” e autora do projeto de um dos módulos expositivos do Pavilhão do Conhecimento. Joana Silva representou o Clube de Robótica do Agrupamento de Escolas de São Gonçalo. Lara Alves é membro da equipa vencedora do concurso Cansat Portugal 2018 (promovido pela Agência Espacial Europeia) e Raquel Moreira foi vencedora da Mostra Nacional de Ciência 2019. As jovens investigadoras escolheram várias mulheres cientistas contemporâneas que as “inspiram” na prossecução da formação e investigação em Ciência, a saber: Cristina Branquinho (Ecóloga), Isabel Ribeiro (Engenheira Robótica), Zita Martins (Astrobióloga), Ana Henriques (Física de particulas) e Maria Eduarda Gonçalves (Investigadora de Direito).

Carolina Almeida encorajou as jovens investigadoras com a seguinte mensagem: “Se queres seguir uma área das ciências (…) fica a dica: sê persistente! Sei que ainda há aquele estigma de termos de ser super inteligentes para seguir uma área científica mas a verdade é que a persistência é a chave! Segue aquilo que tu gostas, sê curioso e explora o mundo que te rodeia!” (Fonte: Ciência Viva, 2021). Reveja em: https://vimeo.com/510336694

Joana Silva referiu que todos os projetos no clube de Robótica de que faz parte “(…) tentam, de certa maneira, passar uma mensagem importante ou ajudar alguém! Como por exemplo o nosso projeto “All Together” que tentava passar a mensagem que juntos somos mais fortes e que a discriminação é algo que já não deveria existir!” (Fonte: Ciência Viva, 2021). Reveja em: https://vimeo.com/510336132

Lara Alves, destacou que, recentemente teve “a oportunidade de participar num projeto da Ciência Viva, em que juntamente com uma equipa eu tive de construir um micro-satélite! Foi neste projeto que eu percebi que a área que realmente mais me apaixona é a área do Espaço. E por isso agora estou na Universidade e decidi começar a estudar Engenharia Aeronáutica” (Fonte: Ciência Viva, 2021). Reveja em: https://vimeo.com/510336457

Já Raquel Moreira,  referiu que “estudar ciência e trabalhar com a ciência trouxe-me imensas oportunidades incríveis! Como a oportunidade de viajar para diferentes países e conhecer pessoas de todo o mundo. Portanto, se gostas de ciências e tecnologias como eu… segue aquilo que mais te apaixona, estuda aquilo que mais te apaixona e desperta para a ciência que te rodeia!” (Fonte: Ciência Viva, 2021). Reveja em: https://vimeo.com/510336073

Boneca “Maria Ciência” é protagonista em livro infantojuvenil

Nesta iniciativa foi ainda apresentada a boneca “Maria”, cujo nome dá destaque à “portugalidade linguística”, merecendo o apelido “Ciência”. Maria Ciência é pois a protagonista do recente livro “Noite no Museu”, da autoria de Rosalia Vargas, Presidente da Ciência Viva. Este livro é especialmente dirigido ao público infantojuvenil, narrando um conjunto de “aventuras” da boneca Maria Ciência “cheias de conhecimento”.

Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência

O Dia Internacional das Mulheres e Raparigas na Ciência foi instituído em 2015, pela Assembleia-Geral das Nações Unidas com a aprovação da resolução A/70/474/Add.2, que define como objetivo da data “apoiar e promover o acesso das mulheres e raparigas à educação, formação e atividade de investigação científica, tecnológica, de engenharia e matemática“. As Nações Unidas (2021) referem que o atual contexto pandémico (COVID-19) veio demonstrar a importância das mulheres investigadoras, destacando “o papel crítico das mulheres investigadoras em diferentes estágios da luta contra o COVID-19, desde o avanço do conhecimento sobre o vírus até o desenvolvimento de técnicas de teste e, finalmente, a criação da vacina contra os vírus“.

Atualmente apenas cerca de 30% dos investigadores de todo o mundo são mulheres. De acordo com os dados disponíveis da UNESCO (2014-2016), também apenas cerca de 30% das jovens estudantes selecionam áreas relacionados com as Ciências, Tecnologias e Engenharias para prossecução dos estudos no ensino superior. Globalmente, a matrícula de jovens mulheres é particularmente baixa nas Tecnologias da Informação e Comunicação (apenas 3%), enquanto que as Ciências Naturais, Matemática e Estatística merecem a escolha da 5% do universo escolar feminino. Já as Engenharias e a Construção recebem 8% das estudantes (Fonte: Nações Unidas, 2021).

Adolescente conduz uma experiência durante a aula de Química na Escola Secundária de Kamulanga em Lusaka, Zâmbia. Foto:UNICEF Photo/UN0145554/Karin Schermbrucker

Fontes:

Imagem de capa: D.R. Cortesia da organização Ciência Viva / AMONET; Foto de artigo: D.R. Cortesia UNICEF Photo/UN0145554/Karin Schermbrucker

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