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Ter dó no coração – “Secundum magnam misericordiam Tuam. “

Ter dó no coração – “Secundum magnam misericordiam Tuam. “

A Natureza Humana desde sempre demonstrou compaixão, pondo-se no lugar do outro que está em sofrimento, tendo piedade, sentindo pena, tendo dó. Essa sensação empática e solidária que nos toca a todos, expressando-se em grande compaixão. Podendo ser incondicional como a ‘Kuan Yin’, a deusa, Bodhisatva, A Senhora da Misericórdia, Domina Misericordiae.

Porém ser misericordioso, perdoar, aceitar o erro de alguém, não significa compactuar com ele, “Ama o pecador e odeia o pecado.”, nos indica a reflexão teológica. A ação simbólica de expulsar os vendilhões do templo deixa ver claramente a mensagem, o Ser mais misericordioso que passou por este planeta não tolerou a ação de desrespeito e ultraje de transformarem a Casa de Seu Pai num negócio, e os expulsou violentamente sem hesitar um só momento, deixando-nos a lição. A frágil relação entre esses dois procedimentos, o de entender o erro, sem compactuar com ele, é a terrível corda bamba, na qual se encontrará todo aquele que quiser ser misericordioso sem tolerar o pecado. Este romance de Lídia Jorge transita nas esferas antagônicas destes dois valores, sem perder a noção nem de um nem de outro, na conformidade da indulgência com o pecador, e na intolerância com o pecado.

Longe de ser um romance religioso, é um romance humano, no que a Humanidade tem de melhor e de pior, na sua condição contraditória de dor e alegria a um só tempo, “Misero me. Però brindo a la vita.”, ou, melhor, em dois tempos tão próximos que se confundem. Em realidades tão antagônicas que se igualam e homogeneízam, uma vez que os extremos se tocam. Só lendo.

As catorze ações misericordiosas, muito bem conhecidas e documentadas, as ditas obras de misericórdia, que são sete ao nível do corpo e sete ao nível do espírito. As corporais: dar de beber a quem tem sede, dar de comer a quente fome, vestir os nus, albergar quem não tem teto, visitar os doentes, visitar os presos (visitar=consolar) e enterrar os mortos. As espirituais: Aconselhar os indecisos, ensinar os ignorantes, admoestar os pecadores, consolar os aflitos, perdoar as ofensas, suportar com paciência aos desagradáveis e orar pelos vivos e pelos mortos. SEREMOS ETERNAMENTE CARECENTES QUE ESSAS OBRAS SE REALIZEM EM NÓS!

DECLARAÇÃO DE INTERESSE.

Meu envolvimento com o romance acontece desde logo por uma correspondência que troquei com a autora, sugerindo procedimentos emocionais para a escrita de semelhante enormidade, para que escrevesse sem tentar conciliar ou expor as desproporções inerentes à temática, e aceitar sua adversidade como moto e razão de existência, uma vez ultrapassada pelo tema.

Assim aconselhava à autora, presunção a minha, ainda mais neste âmbito incomponível, que só um sentido e um sentimento do universal permitiria abordar o tema com propriedade, nada há que dizer ou fazer, onde só a sensibilidade conta, e Lídia a tem com louvor, é mesmo incrível ver, ler, sua percepção e entendimento! Naquela correspondência lhe sugeria então que ouvisse o ‘Miserere’ cantado por Zucchero e Pavarotti, em sua confissão de nossa condição de miséria, pequenez na qual, perdidos na carne, falseamos, mentimos, com dúvida e desorientação, espanto sem humildade, perturbados, pecamos. “Ma che mistero.” E mais sugeria o ‘Miserere mei, Deus’, de Allegri, invocando mesmo: “Incerta et oculta sapientiae tuae manifestate mihi.” E Dona Lídia foi plenamente atendida.

“Ancora non che”

“Stabat mater Alegri.” Ou ao reverso: Como um ocaso, assim se pôs ela, a mãe, como não pode deixar de ser, na imagem de lidarmos com o incognoscível, e Lídia o sabia desde sempre. – Ao declarar logo no início de que valeu-se da melopeia-guia sugerida, faz-me tornar substância intrusa neste contexto, e dá noção da intensidade e verdade da autora em cada palavra, a nada menosprezando, nada excluindo. Alcançando seu intento: MISERICÓRDIA.

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