Fome, Peste e Guerra no século XIV – Parte 2

Fome, Peste e Guerra no século XIV – Parte 2

Características e consequências no campo e nas cidades.

Essencialmente, a crise reflectiu-se através de uma recessão económica e demográfica.

A guerra e os maus anos agrícolas provocaram um êxodo de população paras as cidades, que por sua vez, deram lugar ao abandono das terras, à sua baixa produtividade e rendimento, e também à escassez de mão de obra para a trabalhar. Naturalmente que a contratação do trabalhador agrícola, bem como a produção, ficaram exponencialmente mais caros. Foi disso exemplo o cereal.

Neste contexto surgem as “Leis do Trabalho”, que tinham em vista tabelar os salários em alta.

A incapacidade de resposta da população a esta inflacção, implicou uma queda dos preços e consequente diminuição dos rendimentos dos senhores. Estes recorreram ao aumento dos impostos, à opressão e à justiça privada, sobre um estado da sociedade já de si fragilizado. O resultado foi um conjunto de revoltas, de entre as quais se destacam três: a primeira grande revolta foi a dos Karls, na Flandres marítima (1323/24-1328), seguida da Jacquerie (1356), em França, e terminando com a Revolta dos Trabalhadores, em 1381, em Inglaterra.

Entretanto, a peste teve também impacto na agricultura, dado que aparecia nos meses quentes, época das colheitas, deixando os campos vazios ao ceifar em várias gerações aqueles que trabalhavam a terra.

Nas cidades provocou uma franca diminuição da população e, respectivamente, da mão de obra disponível, levando a uma reestruturação das condições laborais, que originou o aparecimento de associações de trabalhadores à jorna e à aplicação de restrições ao acesso às guildas de mesteirais, isto é, a uma maior exclusividade dos mesteirais. Por este motivo surge o fenómeno do salariado com todas as suas consequências, nomeadamente o mercado livre do trabalho e uniformização da condição dos artesãos.

Em ambos os casos, campo e urbe, sucedeu uma inflacção de preços, o endividamento das classes mais pobres tornou-se comum, e a dificuldade de consumo e abastecimento de cereais levou à forme e à fragilização da saúde. Pasto para a peste. Por todos estes motivos, a pobreza era uma condição generalizada.

 

NICHOLAS, D. (1999). A reorientação económica e crise social na baixa Idade Média. In A Evolução do Mundo Medieval. Sociedade, governo e pensamento na Europa: 312-1500. Lisboa, Publicações Europa-América.

 

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