Etapas da expansão europeia

Quais foram os momentos mais marcantes da narrativa sobre a expansão europeia? Em traços largos, que aguardam desenvolvimento em próximos textos, se ocuparão as linhas deste ensaio.

Os pioneiros Portugal e Espanha

Portugal

Em 1415, dá-se a tomada de Ceuta, importante entreposto comercial no norte da África; em 1420, a ocupação das ilhas da Madeira e Açores no Atlântico; em 1434, assinala-se a chegada ao Cabo Bojador e, em 1445, a chegada ao Cabo Verde; em 1487, Bartolomeu Dias transpõe o Cabo das Tormentas; em 1487, Pêro da Covilhã (acompanhado em parte da viagem por Afonso de Paiva) chegou a Alexandria, percorrendo várias cidades no médio oriente como o Cairo e Ormuz, no Golfo Pérsico, alcança a Índia e visita a costa da África Oriental, chegando ao Mar Vermelho onde parte para a Etiópia, onde permanecerá o resto da sua vida ,mas enviará preciosas informações a D, João II; em 1498, Vasco da Gama atinge a Índia (Calecut); e em 1500 na viagem de Pedro Álvares Cabral para a Índia, o Brasil é descoberto ou redescoberto.

Espanha

Em 1492 assinala-se a chegada de Cristóvão Colombo à América; em 1504, Américo Vespúcio afirma que a descoberta de Colombo se trata de um novo continente, que ficará conhecida pelo seu nome, América; de 1519 a 1522, Fernão de Magalhães realizou a primeira viagem de circum-navegação.

O atraso da França, Inglaterra e Holanda

A entrada tardia da Inglaterra nestes empreendimentos foi causada pelo seu envolvimento no conflito da Guerra dos Cem Anos (1337-1453) e pela guerra civil inglesa, a Guerra das Duas Rosas (1455-1485), que lhe seguiu. Quanto à França, no final do conflito com a Inglaterra, enfrenta um período de lutas no reinado de Luís XI (1461-1483). Somente após estes conflitos externos e internos é que os ingleses (durante o reinado de Isabel I [1558-1603 ]) e franceses (durante o reinado de Francisco I), iniciaram a expansão marítima. Relativamente à Holanda, esta teve o seu processo de autonomização política atrasado por ser um território pertencente ao poder espanhol e somente com o enfraquecimento da Espanha e com o processo de sua independência é que os holandeses irão juntar-se aos demais países europeus no empreendimento da expansão. Dito isto, prossigamos com o elenco de principais descobertas e navegadores europeus:

A entrada de Inglaterra no movimento expansionista

a exploração da Gronelândia por Martin Frobischer; Walter Raleigh, que tentou fundar uma colónia na América do Norte; Francis Drake, que fez a segunda viagem de circum-navegação após Fernão de Magalhães; João Caboto, um italiano ao serviço de Inglaterra que chegou à Nova Escócia e à península de Labrador; James Cook, que fez uma viagem de circum-navegação na qual explora a Oceânia e aporta a locais como a Austrália e a Nova Zelândia (séc. XVIII).

A entrada da Holanda

Em 1605, o capitão Willem Janszoon, rumou de Bantam à costa oeste da Nova Guiné, cruzou o extremo oriente do Mar de Arafura e um ano depois, desembarcou no Rio Pennefather (oeste do Cabo York), em Queensland, próximo à atual cidade de Weipa. Janszoon mapeou 320 km da costa da Austrália; em 1615, Jacob Le Maire e Willem Schouten navegaram contornando o Cabo Horn; entre 1642 e 1644, o explorador holandês e comerciante a serviço da Companhia Holandesa das Índias Orientais (VOC), Abel Tasman, executou viagem de circum-navegação à chamada Nova Holanda, provando que a Austrália era um continente; Tasman e seu navegador Visscher, juntamente ao comerciante Gilsemans mapearam não só a Austrália, mas também as ilhas do Pacífico e da Nova Zelândia.

A entrada da França

Foi durante o reinado de Henrique IV que se tentou estabelecer um império colonial nas Américas, em Sable Island (sudeste da Nova Escócia) mas sem sucesso; em 1605, é fundado Port Royal (Annapolis), igualmente na Nova Escócia, sendo considerado o primeiro assentamento colonial francês bem sucedido; seguiu-se a colonização do actual Québec; colonizaram a região de Acádia (Canadá), a região de Louisiana, a Guiana Francesa e as ilhas caribenhas de Martinica, Guadalupe e Haiti. São de referir as viagens de Jacques Cartier no Canadá, onde explorou o Rio S. Lourenço em Montréal.

Toda esta agitação e movimentação de pessoas, bens, recursos, ideias e novidades, teve impacto na Europa, não só a Europa litoral, a das costas e mares, mas também a do interior, de serras e montanhas. Mas isto será assunto para um próximo texto.

Delumeau, J. (1994) – A Ásia, A América e a Conjuntura Europeia. In A civilização do Renascimento I (P.49-72). Lisboa, Editorial Estampa.   

 

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