Deus Vult! As cruzadas (Parte 6)

Deus Vult! As cruzadas (Parte 6)

Acerca da 3ª Cruzada.

Como resposta à tomada de Jerusalém, em 1187, por Saladino, o Papa Gregório VIII (1187) encarregou-se de apelar à organização da terceira cruzada (1189-1192) por intermédio de uma bula. Esta teve como principais líderes as forças mais imponentes do ocidente, nomeadamente o imperador do Sacro Império Romano-Germânico, Frederico Barba Ruiva (1155-1190) e os monarcas da Inglaterra, Ricardo I, Coração de Leão (1189-1199) e da França, Filipe Augusto (1180-1223), levando-a a ser denominada como Cruzada dos Reis. Pela primeira vez, nela também participaram os Cavaleiros Teutónicos.

O imperador Frederico Barba Ruiva foi o primeiro a avançar pelo itinerário danubiano, mas a sua expedição encontrou dificuldades logo no princípio, dado que o imperador bizantino, Isaac II Angelus (1185-1195 e 1203-1204), aliara-se a Saladino para impedir o seu progresso na Grécia. Frederico retaliou este acto capturando a cidade bizantina de Adrianópolis. Devolveu-a apenas quando Isaac concordou em transportar os alemães através do Hellespont para a Turquia.

Após a derrota de um exército Seljuk, em Maio de 1190, Frederico alcançou Iconio, cruzando território arménio, porém, a 10 de junho desse ano, Frederico morreu afogado na Cilícia. Esta situação levou parte do seu exército a abandonar a cruzada. O restante das suas forças militares mantêve-se sob o comando de Frederico da Suábia e Leopoldo da Áustria, tendo conseguido alcançar Tiro.

A 4 de julho de 1190, os monarcas inglês e francês reuniram-se em Vézelay e prepararam-se para avançar, mas apesar de terem iniciado o empreendimento juntos, acabaram separados por querelas e rivalidades inerentes às suas circunstâncias na Europa, bem como por outras dificuldades sentidas no mar mediterrâneo. Esta conjuntura provocou o desencontro e o atraso dos exércitos.

O monarca francês, Filipe Augusto, foi o primeiro a atingir o território palestiniano, conseguindo conquistar a Ilha do Chipre e integrá-la no domínio latino.

Em Junho de 1191 ambos os exércitos conseguem sitiar Acre e tomá-la aos muçulmanos.

Um mês depois de se ter estabelecido o cerco, a guarnição muçulmana rendeu-se contra a vontade de Saladino. Em troca da vida da guarnição, Saladino concordou com a devolução da Verdadeira Cruz, e com a libertação de prisioneiros cristãos.

Em Agosto, o rei francês é obrigado a retirar-se para França alegadamente por motivos de saúde relacionados com a sua idade avançada, levando com ele o seu exército, mas prometendo a Ricardo I não atacar o seu reino, palavra que viria a ser olvidada.

Ricardo ficou com o controlo do empreendimento.

Entretanto o acordo estabelecido entre Ricardo I e Saladino não foi cumprido. Quando Saladino se atrasou a pagar a primeira parcela do resgate dos prisioneiros Ricardo ordenou a execução da guarnição muçulmana. Em resposta, Saladino massacrou a maioria dos reféns cristãos.

A primeira e única batalha campal entre as forças de Saladino e os cruzados ocorreu em 7 de setembro de 1191, em Arsuf, onde Saladino é obrigado a recuar. Depois de Arsuf, Saladino recapturou Jaffa e aí estabeleceu a sua base de operações. Por seu lado, Ricardo restabeleceu o controle cristão da costa e fortificou Ascalon, a sul.

Por duas vezes, Ricardo I conduziu os cruzados até à Cidade Santa, e em ambas as ocasiões teve de recuar.

O monarca não ocupava uma posição privilegiada no seio das suas hostes, tendo procurado estabelecer um acordo com Saladino. Este contemplava a permanência do domínio muçulmano sobre Jerusalém, mas deveria permitir a entrada dos peregrinos cristãos na Cidade Santa, desde que desarmados. O tratado foi assinado a 2 de Setembro de 1192, e teve a duração de 3 anos.

Apesar da sua envergadura, a 3ª cruzada não atingiu o objectivo de recapturar Jersualém, contudo os cruzados puderam manter os territórios de Tiro a Jafa.

 

Nota: As datas colocadas adiante dos nomes reportam-se geralmente ao período de reinado ou pontificado.

 

Bibliografia

NICHOLAS, D. (1999). Nobres e Cruzados. In A Evolução do Mundo Medieval. Sociedade, governo e pensamento na Europa: 312-1500. Lisboa, Publicações Europa-América.


Thomas F. Madden, Marshall W. Baldwin et al., «Crusades» in Encyclopaedia Britannica [em linha], Chicago, Encyclopaedia Britannica, Inc., 25 de Outubro de 2019, atual. 2020 [consult. a 15 de Julho de 2020]. Disponível online/ na Internet:< URL: https://www.britannica.com/event/Crusades>

 

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