Deus Vult! As Cruzadas (Parte 3)

Deus Vult! As Cruzadas (Parte 3)

Acerca da 1ª Cruzada.

As Cruzadas foram uma forma de intervenção do papado e dos reinos cristãos da Europa ocidental na Ásia Menor e no Mediterrâneo oriental, através de expedições militares organizadas.

A primeira ganha forma quando o Papa Urbano II responde ao apelo do imperador bizantino, através do Concílio de Clermont (Auvergne, 27 de Novembro de 1095). Aí, apela aos reinos cristãos da França, Lotaríngia, sul da Itália, Normandia, Flandres e Países Baixos, para integrar uma expedição militar que pretendia retomar o controlo de Jerusalém e de outras cidades capturadas pelos muçulmanos, controlar a expansão islâmica e converter povos pagãos. A proposta do Papa Urbano II terá sido aclamada pelo povo através das palavras de ordem “Deus Vult!” (“Deus o quer!”).

Para atribuir um carácter santificado à expedição, Urbano II instituiu uma remissão plenária dos pecados a quem morresse na Cruzada. Os restantes sacerdotes prometeram também o perdão da culpa e do castigo, caso que derivou na organização de uma “Cruzada popular”, que avançou antes dos exércitos “formais”. Composta por combatentes informais, inexperientes, desorganizados e despojados de treino e equipamento adequado, foi rapidamente dizimada pela ofensiva turca.

Figuras como Pedro, o Eremita, assim como Walter, o Pobre, serviram de inspiração à participação das massas europeias.

Relativamente aos exércitos europeus sob o comando de homens nobres, destacam-se quatro: o de Hugo I de Vermandois, que saiu de França, o de Godofredo de Bulhão (Bouillions), o de Boemundo de Taranto, que saiu do sul da Itália, o de Raimundo IV de Tolosa e o de Roberto II da Normandia, que saiu de Brindisi.

A crer nas palavras do cronista da 1ª Cruzada, Foucher de Chartres, em 1097 era imenso o volume das tropas que saiam do Ocidente:

Tal foi então o imenso ajuntamento que partiu do Ocidente; pouco a pouco e dia a dia este exército foi acrescido, pelo caminho, de outros exércitos que chegavam de todos os lados e formados por um povo inumerável: assim, via-se aglomerar-se uma multidão infinita falando línguas diferentes e vinda de diversos países.” (p.24).

A narrativa histórica contempla duas rotas principais que os cruzados terão utilizado para atravessar a Europa, em direcção à Anatólia. Uma terá passado pela Hungria, cruzando a fronteira bizantina em Belgrado, e depois pelos Balcãs. A outra terá levado os exércitos de cruzados pela Itália, atravessando o mar de Bari a Durrês (Albânia) e depois para Constantinopla por terra.

Terão chegado à cidade entre Novembro de 1096 e Abril de 1097, todavia, a totalidade das hostes, incluindo o exército do imperador bizantino comandado por Tatikios, ter-se-á reunido em Niceia, onde se iniciou a sua rota pela Ásia menor.

A 18 de Junho de 1097, derrotaram as tropas de Kilij Arslan e capturaram a cidade de Niceia. Seguiram para Dorileia, depois para Filomélio e Sozopólis, daí partindo para Iconio. Continuaram por Heracleia, Tiana, Cesareia, Marsh, Edessa, Antioquia (sitiada a 20 de Outubro de 1097), Trípoli e Acre. Apesar do pacto estabelecido com o imperador bizantino, as cidades não ficaram livres de saque e pilhagem.

A marcha para Jerusalém terá sido relativamente pacífica e com pouca resistência.

A 15 de Julho de 1099, após um cerco que durou aproximadamente um mês, os cruzados tomaram Jerusalém aos Fāṭimids, uma dinastia política e religosa que ocupara Jerusalém em 1098. Foucher de Chartes, escrivão no Concílio de Clermont, deixou relato de uma chacina sem precendentes, do qual se recomenda a leitura.

Depois do sucesso da 1ª Cruzada, são criados quatro reinos na Palestina, nomeadamente o Condado de Edessa, o Principado de Antióquia, o Condado de Trípoli e o Reino de Jerusalém. Em oposição, no lado muçulmano despontaram lideranças como a de Zengi, príncipe de Alepo e Mossul, que viriam a motivar a organização da 2ª Cruzada.

A 1ª Cruzada foi a única militarmente bem-sucedida.     

Bibliografia

NICHOLAS, D. (1999). Nobres e Cruzados. In A Evolução do Mundo Medieval. Sociedade, governo e pensamento na Europa: 312-1500. Lisboa, Publicações Europa-América.          

Thomas F. Madden, Marshall W. Baldwin et al., «Crusades» in Encyclopaedia Britannica [em linha], Chicago, Encyclopaedia Britannica, Inc., 25 de Outubro de 2019, atual. 2020 [consult. a 15 de Julho de 2020]. Disponível online/ na Internet: < URL:       https://www.britannica.com/event/Crusades>

Chartres, F. de (2003). A 1ª Cruzada. Um relato de quem lá esteve. (1ª ed.). Mem Martins: Inquérito.

Imagem: Wikipedia

https://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/7/7a/Counquest_of_Jeusalem_%281099%29.jpg

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