Deus Vult! As Cruzadas (Parte 2)

Deus Vult! As Cruzadas (Parte 2)

Prólogo da 1ª Cruzada.

O contexto preliminar da 1ª Cruzada compôs-se, resumidamente, pelas tensões que rodeavam o território bizantino, pela instabilidade dos Estados muçulmanos, e pelo interesse do papado em reatar as relações com a Igreja do Oriente depois do Cisma (1054).

No tocante aos Estados muçulmanos, as suas próprias dissensões políticas, familiares e religiosas resultaram num conjunto de facções em oposição, nomeadamente: os Omíadas do Califado de Córdova; os Abássidas de Bagdade (Sunitas) e os Fatímidas no Norte de África (Xiitas). As ofensivas bélicas de cada uma destas facções em territórios europeus e no Norte de África (remontam ao século VIII) alimentaram progressivamente a ideia de guerra santa na mentalidade das populações cristãs, fomentando a capacidade dos reinos unirem esforços para repelir a sua presença.

Por volta do século XI, assiste-se ao avanço e conquista do Médio Oriente pelos pelas tribos dos turcos seljúcidas, convertidos ao islamismo sunita, que dominarão uma boa parte do território, mas também se dividirão em vários potentados.      

Em 1071, um exército bizantino foi derrotado e o Imperador Romano IV Diógenes foi capturado em Manzikert. Assim, a Ásia Menor cristã ficava vulnerável à eventual ocupação turca. Durante esta conjuntura, um volume considerável de arménios do Sul migraram para se juntar a outros na região montanhosa de Taurus e formar uma colónia na Cilícia. Mais tarde, a ofensiva turca tomou Antióquia, na Síria, e depois Niceia, o que trazia o islamismo para as portas de Constantinopla.

Relativamente ao Império Bizantino, este encontrava-se em disputa por áreas de influência no Mediterrâneo Oriental, nomeadamente na península itálica com as repúblicas/comunas independentes das cidades comerciais em ascensão, como Veneza, Génova e Pisa, e também com o reino da Sicília, com a dinastia normanda, enquanto lidava com intervenções bélicas, eslavas e húngaras, na região que é hoje a Croácia.

Mais tarde, o imperador bizantino consegue estabelecer laços de aliança comercial com Veneza, beneficiando ambas as partes não só em termos económicos, mas também militares. O imperador concedeu a Bula Dourada (1082) aos venezianos, permitindo que estes dominassem as trocas comerciais com o ocidente a partir de uma colónia mercantil em Constantinopla.

Deste modo, os venezianos defenderam os seus interesses nessa área e no mar Adriático, combatendo as pretensões da Sicília normanda e outras, procurando apoio junto aos bizantinos e obtendo concessões comerciais no Adriático e no Império.

A par deste cenário, com o avanço da ofensiva turca Seljuk para norte, e que já havia conquistado os territórios da Pérsia, Mesopotâmia, Síria e parte da Palestina, ameaçando Jerusalém, o exército bizantino viu-se obrigado a fazer face à ameaça, porém, não isoladamente.        

As tensões territoriais criadas pelos turcos, com a intenção cada vez mais clara de ocupação de Jerusalém (o estandarte da cristandade e local de paz entre as três grandes religiões monoteístas), levaram o imperador bizantino Aleixo I Commeno (1081-1118),  a recorrer ao auxílio dos reinos da europa ocidental, pese embora com graves desconfianças, dado que, conforme se referiu, também aí sucediam conflitos armados, perdas de território, disputas religiosas e quezílias de interesse.

O apelo é feito e o Papa Urbano convoca o Concílio de Clermont, que teve lugar em Auvergne, no ano de 1095, onde propõe a expedição militar que deu origem à 1ª Cruzada.


Bibliografia

NICHOLAS, D. (1999). Nobres e Cruzados. In A Evolução do Mundo Medieval. Sociedade, governo e pensamento na Europa: 312-1500. Lisboa, Publicações Europa-América.

Thomas F. Madden, Marshall W. Baldwin et al., «Crusades» in Encyclopaedia Britannica [em linha], Chicago, Encyclopaedia Britannica, Inc., 25 de Outubro de 2019, atual. 2020 [consult. a 15 de Julho de 2020]. Disponível online/ na Internet:< URL: https://www.britannica.com/event/Crusades>

Imagem: Britannica.com

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