A novidade da gravidez de Maria

Na cultura grega, fortemente presente no primeiro século da nossa era, com frequência os deuses se envolviam com mulheres humanas e com elas tinham filhos. Assim, é mais fácil para Lucas narrar a história do nascimento de Jesus do que para os outros evangelistas, porque ele escreve para uma comunidade de origem grega.

Por conta disso e de outras semelhanças com outras religiões ou sistemas de crenças, críticas ingênuas feitas ao Cristianismo, em geral por pessoas que nada sabem sobre a história das religiões, têm ressaltado que o Cristianismo não tem nenhuma novidade e que copia outras crenças.

Não é bem assim. Deuses, de fato engravidaram mulheres em várias culturas, mas no Cristianismo isso não acontece por causa do desejo ou paixão de um deus por uma mulher específica, e sim pelo amor do Deus criador pela humanidade. A gravidez de Maria não é resultado de uma estratégia divina para ter prazer ou demonstrar poder. Não é feita por subterfúgios e ninguém é enganado para que Deus realize seu ato. A gravidez de Maria é resultado do seu sim.

Por outro lado, se a história cristã repete parcialmente outras histórias mais antigas, isso não é motivo para uma desqualificação. Afinal, por que Deus teria que ser original e formalizar sua aliança com a humanidade através de uma história inédita? Por que não usar elementos que a humanidade já conhece e entende?

O Deus cristão se aproveita das expectativas e esperanças da humanidade, expressas através de seus mitos, e transforma mito em milagre. Milagre aceito, absorvido, vivido e celebrado até hoje.

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