Educação online: o perigo da comercialização de seus dados na web

Educação online: o perigo da comercialização de seus dados na web

Será que você faz parte do capitalismo de vigilância?

Os últimos dados publicados pela “Iniciativa Educação Aberta” (1), demonstram que durante o período de ensino remoto diversas empresas e plataformas tecnológicas passaram a oferecer várias ferramentas de Educação a Distância (EaD), como condição para a continuidade do ensino durante o período de suspensão das aulas presenciais provocada pela pandemia de Covid-19. 

É fato que a alternativa de educação remota foi válida, em vários casos ocorreu de forma gratuita aos usuários e permitiu a continuidade do processo de aprendizagem, mas é fato também, que algumas armadilhas se esconderam nesse processo. Uma delas, é a possibilidade de exploração dos dados de usuários para ofertar produtos e serviços. Esse modelo de negócio é chamado de “capitalismo de vigilância”. 

Caiu na rede caiu no mundo

A Universidade Federal do Pará (UFPA) em parceria com a Iniciativa Educação Aberta, órgão formado pela Cátedra UNESCO de EaD sediada na Universidade de Brasília (UnB) e pelo Instituto Educadigital, revelam que 65% das Universidades Públicas e Secretarias Estaduais já estão expostas a essas práticas remotas, o que as colocam em um universo frágil considerando a “falta de regulação de parcerias estabelecidas por órgãos públicos de educação com organizações comerciais, o que compromete o direito à privacidade e à proteção de dados pessoais dos cidadãos e também de crianças e adolescentes” (Campanha Nacional pelo Direito à Educação/2021).

O professor Tel Amiel da UnB que coordena a Cátedra UNESCO em EaD, explica que “essas parcerias não envolvem dispêndio de recursos financeiros por parte da administração pública. No entanto, há um valor oculto extraído da coleta de nossos dados e metadados” (2).

O movimento é dinâmico e gigantesco, formado por grandes empresas de tecnologia, reunidas por grupos como o “GAFAM”, sigla que representa gigantes bem conhecidas entre nós, como a Google, Apple, Facebook, Amazon e Microsoft. Segundo dados publicados pela Campanha Nacional pelo Direito à Educação/2021, o Brasil está entre os países que menos cobram impostos das empresas Facebook, Alphabet (empresa que controla a Google) e Microsoft. 

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Ensino remoto ou presencial?

A pandemia de Covid-19 nos impôs alguns limites e as aulas presenciais foram as primeiras atividades a serem interrompidas no mundo todo. O uso das diversas ferramentas digitais passou a ser o único meio possível para a continuidade do desenvolvimento cognitivo de nossos estudantes. 

Recentemente, em meados do ano de 2014, foi aprovada no Brasil a Lei nº 12.965, que institui o marco civil da internet. De lá para cá pouca coisa aconteceu e um controle cada vez mais fragilizado dos dados dos usuários se tornou rotina. É preciso atenção urgente, tanto das autoridades governamentais como dos próprios usuários, afinal, não conseguimos mais interagir sem o uso da internet, estamos cada vez mais dependentes dessa ágil plataforma interativa. 

Somos seres sociais, precisamos do contato humano para sobreviver. Alguns estímulos cognitivos importantes ao desenvolvimento humano ocorrem de forma presencial e ficam prejudicados em contatos remotos. Mas isso não significa que o desenvolvimento dessas funções nessa nova modalidade de ensino seja algo impossível. 

O estudo remoto exige um grau elevado de maturidade cerebral do estudante. Funções cerebrais como memória de trabalho, controle inibitório, flexibilidade cognitiva, planejamento, resolução de problemas e raciocínio, são essenciais para o desenvolvimento cognitivo e muito importantes para o aproveitamento adequado do ensino remoto. Tais funções, se estimuladas de forma acertada, se desenvolvem ao longo da vida, mas seu pico de desenvolvimento em média, acontece no período da Educação Básica.

Ocorre que em tempos de Educação presencial esses estímulos são desenvolvidos intencionalmente no interior das instituições de ensino, de forma pontual, atenta e profissional. Já na Educação remota, os adultos mais próximos do estudante ganham essa atribuição, porém, não de forma profissional. Os professores passam a ter apenas um contato distante com o aluno, mediado pela tecnologia da informação. 

Enquanto não voltamos ao “novo normal”, com os devidos cuidados, é possível manter uma rotina saudável de estudos, que não ocorrerá de forma integral como no ensino presencial, mas garantirá a continuidade da aprendizagem, mantendo o cérebro ativo e permitindo um movimento cognitivo crescente. 

Notas:

(1)  https://aberta.org.br/ – Acesso em 06/07/2021

(2) Disponível em: http://educacaoaberta.org/ – Acesso em 06/07/2021

Foto de capa D.R. Pormenor editado a partir de imagem GettyImages, by Jay Yuno

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