No seguimento do primeiro texto desta sequência, sobre a Geomorfologia, debruçamo-nos agora sobre a definição, objecto de estudo, factores de distribuição e perturbação dos climas, e instrumentos da Climatologia, aos quais se acrescentou uma brevíssima referência ao caso específico de Portugal.

A climatologia é um dos ramos da Geografia Física que tem por objecto de estudo a atmosfera, ou, se preferirmos, o conjunto de fenómenos e estados meteorológicos da superfície do globo, em articulação com os factores geográficos e humanos, nas diferentes escalas espaciais, desde faixas latitudinais, países, regiões, cidades, até vertentes soalheiras ou úmbrias, isto é, desde o clima local e do clima regional ao microclima. Assim, a climatologia ocupa-se a comparar as diferenças de ritmo de oscilação térmica de uma região para a outra, a caracterizar a atmosfera de um lugar pela combinação de meteoros, a investigar a relação entre estas factores e a distribuição dos vegetais, animais ou homens. Trata-se, portanto, de uma ciência vinculada à observação.

No tocante aos factores, estes determinam as modificações atmosféricas. São factores geográficos a latitude (proximidade ao oceano) e a altitude (continentalidade), a situação relativa às massas oceânicas e continentais, aos centros de acção e aos movimentos gerais da atmosfera, à exposição, à declividade, entre outros.

Assim, como se dispõem os grandes tipos de clima à superfície do planeta e quais os factores que perturbam essa distribuição?

Em termos gerais, a organização climática global dispõe-se segundo faixas latitudinais, contudo, a sua disposição é perturbada pelos factores geográficos como a latitude e altitude, determinando climas de montanha e climas continentais, em regiões muito afastadas do mar. Assim, o conjunto principal de climas do globo compõe-se pelo equatorial, tropical húmido, tropical seco, desértico quente, clima de monção, clima de fachada oriental, mediterrânico, oceânico, oceânico de transição, continental, desértico frio, clima de alta montanha e clima frio. A circulação geral da atmosfera decorre do movimento provocado pelas faixas de pressão (ciclónicas e anticiclónicas) que circulam para Norte ou para Sul. 
A actividade humana também é um factor de perturbação do clima, sobretudo nos grandes centros urbanos onde se concentram grandes doses de partículas e poeiras poluidoras, resultantes da intensa circulação automóvel e das indústrias.

Alguns instrumentos utilizados na análise e registo dos vários elementos climáticos são:

Udómetro ou Pluviómetro – medidor de precipitação;

Termómetro – medidor de temperatura em graus Célsius;

Barómetro – medidor de pressão atmosférica em hectopascais;

Anemómetro – medidor da direcção e velocidade do vento em nós (pontos cardeais) e quilómetros;

Heliógrafo – regista a insolação em papel fotográfico;

Solarígrafo – medidor da radiação solar indirecta.

Relativamente a casos específicos, destaca-se o caso português, para o efeito de exemplo. Foi estudado por Suzane Daveau e Colaboradores (1985), tendo sido mapeado o país em duas regiões climáticas, a marítima e a continental. Nelas encontrou-se um conjunto diversificado de variações derivadas dos diferentes relevos do território (cordilheiras; planaltos; planícies), apesar de à escala global se enquadrarem no mediterrânico.

O mesmo tipo de caracterização acontece nos diversos países do mundo, e, conhecê-las, pode ser de grande utilidade para melhor compreender a “identidade” atmosférica de certos locais, assim como a discussão em torno do aquecimento global.

Pereira, A. R. (2002) – 1.1. A Climatologia. In Geografia Física e Ambiente (P.1-29). Portugal: Universidade Aberta.

Imagem gratuita em Pixabay (enriquelopezgarre)

Descarregar artigo em PDF:

[MWB_PDF_GEN]

Deixe o seu comentário

LOGIN

REGISTAR