A Biogeografia é mais um ramo da Geografia Física e estuda a distribuição espacial dos seres vivos, animais e vegetais, assim como os motivos da sua repartição, tentando responder a questões como “onde” se encontra determinado ser vivo, e por que motivo está em determinado local e não noutro? Assim, o denominativo deste conjunto de seres é “Biosfera”.

Por sua vez, a Biosfera tem relações com outros domínios da Geografia Física, sendo condicionada por uma estreita relação com a atmosfera (luz solar, precipitação, humidade, temperatura), pela geomorfologia, que representa o meio em que vivem os seres vivos (contudo as formas de relevo e as rochas em que elas se desenvolvem designa-se de litosfera),  e pelos sistemas hidrológicos (presença de água), indispensáveis à vida.

Há relações entre os dois domínios da Geografia Física (a Climatologia e a Geomorfologia) e a Biogeografia, sendo que estes têm ainda relações privilegiadas com a Biologia. Porém, ao biogeógrafo interessa compreender a repartição dos seres vivos na superfície do globo, individualmente ou em grupo, e os motivos dessa distribuição. Por exemplo, a vegetação pode ser considerada como um indivíduo ou um conjunto de indivíduos da mesma espécie (associação vegetal). Todavia, o biogeógrafo recorre muitas vezes à designada formação vegetal que é um conjunto de indivíduos que têm as mesmas características e fisionomia (porte; densidade), do qual a floresta é um exemplo, podendo ter uma associação vegetal dominante, como é o caso do pinheiro marítimo (Pinus maritimum), no Pinhal de Leiria. Mas nem sempre acontece isto. Na floresta equatorial, por cada quilómetro quadrado, chega a haver mil espécies diferentes, assim, não sendo possível conceder um adjectivo à floresta.

Numa formação vegetal, os seus organismos organizam-se por estratos, em função da dimensão, geralmente dividindo-se em três: o arbóreo, o herbáceo e o arbustivo. Esta estratificação resulta da procura de melhores condições de desenvolvimento, como a luz. O estrato herbáceo caracteriza-se por ter entre dez centímetros e um metro, o arbustivo, pode atingir sete metros, mas sobre eles situa-se o estrato arbóreo.

O grau de recobrimento também é uma característica, estando geralmente expresso em percentagens, estimando-se pela superfície ocupada e pela projecção, no solo, do estrato considerado.

Uma associação de indivíduos vivos, animais ou vegetais, designa-se por biocenose. E para caracterizar o seu habitat ou ecótopo, é preciso conhecer o tipo de rocha que habita, assim como o tipo de solo e a sua forma de relevo, as condições climáticas e, particularmente, as condições de presença, como a abundância ou escassez de água. Assim, fica formado o ecossistema, pelo conjunto de relações existentes entre a associação de seres vivos e pelo seu habitat.

A relação entre os seres vivos vegetais e o clima, assim como a sua relação com as condições geomorfológicas (natureza do solo e morfologia), reflecte-se na distribuição das grandes formações vegetais do globo. Essa distribuição é denominada de distribuição zonal, tal como acontece com as faixas de diferentes climas, perturbada por factores geográficos, por exemplo.

Tome-se a título de exemplo a floresta ombrófila ou equatorial, (que ocupa cerca de 10% do Planeta), e onde se encontram cerca de metade das espécies animais e florestais. Em apenas um hectare pode existir um total de 200 espécies de árvores e 40 000 espécies de insectos. Um metro quadrado deste tipo de floresta pode ter 4S a 80 kg de biomassa, podendo chegar a produzir 3,5kg de biomassa por ano.

Esta é a formação vegetal mais densa do planeta, porém, há medida que a abundância de água diminui ou há medida que os climas se tornam menos húmidos, a vegetação rarefaz-se, perdendo diversidade de espécies. Pode mesmo transformar-se em formações herbáceas, como as savanas, por escassez de água, ou em estepes e tundras por escassez de água no estado líquido. Estas ocorrem não só nas latitudes mais elevadas como nas áreas de maior altitude, de que são exemplo os planaltos.

Para além da biodiversidade vegetal e animal que a floresta encerra, também constitui o pulmão do Planeta, juntamente com o oceano, representando importantes reguladores dos componentes do ar que respiramos, assim como do clima.

No caso português, de acordo com o Inventário Florestal Nacional, da Direcção Geral de Florestas, em Portugal continental, a floresta constitui uma importante riqueza e ocupa 38% do território (fig. 1.24), seguida do espaço agrícola (33%), dos incultos (23%), do espaço social (3%) e águas interiores (1%).

Do ponto de vista climático, Portugal situa-se no cruzamento de influências atlânticas e de influências mediterrâneas. Tal como acontece na macro escala, a vegetação natural deste território também espelha estas duas influências. A floresta temperada, com árvores de folha caduca, domina no Noroeste, nas áreas mais elevadas dos planaltos transmontanos e durienses, na Cordilheira Central, e está também presente mais para sul, na Serra de Sintra, onde o efeito orográfico e a natureza das rochas, mais siliciosas, permite o seu desenvolvimento e manutenção.

A mesma influência geomorfológica, no clima e na vegetação, observa-se em Monchique, onde, apesar de dominar a floresta mediterrânea, se encontram espécies de floresta temperada. O resto do país, a sul da Cordilheira central, é ocupado por floresta mediterrânea, dominando o sobreiro e a azinheira.

Pereira, A. R. (2002) – 1.3. A Biogeografia. In Geografia Física e Ambiente (P.43-51). Portugal: Universidade Aberta.

Imagem gratuita em Pixabay (cocoparisienne)

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