Dilemas em saúde em tempos de Artificial Intelligence

Dilemas em saúde em tempos de Artificial Intelligence

Colapsos nos sistemas de saúde ou sistemas de saúde à beira do colapso. Frases muitas vezes repetidas em tempos de Covid-19 e ouvidas em nossos lares em virtude do isolamento social a atender a recomendação das autoridades. Embriagados com a tecnologia digital, mergulhados em informações sem fronteiras ou distância, buscamos alívio em um momento de aflição.

Pesquisadores da BlueDot, uma companhia que usa Artificial Intelligence (AI) para rastrear e antecipar doenças infecciosas reportou casos de pneumonia de etiologia desconhecida na China[1]. O departamento de radiologia do Hospital Zhongnan da Universidade de Wuhan fez uso de um software de AI para detectar sinais visuais de pneumonia associados ao Covid-19. Sozinho tal software de AI não confirma a doença, mas ajuda no diagnóstico e, portanto, colabora com o tratamento mais eficiente do paciente e otimiza o isolamento necessário.

É fato que a tecnologia na área dos cuidados médicos modificou os modos tradicionais em que essa se baseava. E se por um lado contribuem para o aumento da longevidade, maior eficiência e diagnósticos mais precisos, carregam em si, uma maior pressão aos sistemas de saúde. Mas questões como a qualidade dos dados e mesmo seu volume ainda constituem desafios.

No entanto o uso de dados é crucial, e este é o atual dilema. A Lei Geral de Proteção de Dados (GDPR), ainda que fruto de reflexões filosóficas profundas confronta em suas intenções com o desenvolvimento de tecnologias, em especial, quando tratamos de AI. Computadores aprendem ao escolher padrões em uma quantidade massiva de dados. Nesse sentido uma proteção por demais rígida coloca em xeque o desenvolvimento de tais tecnologias.

Essa a razão para que países como a China, com menor regulação da privacidade, saem em vantagem porque tem acesso a dados não protegidos por regulamentos de privacidade[2]. A GDPR é desenhada para restringir o acesso aos dados, que, no entanto, são necessários ao desenvolvimento da AI.  Este é o dilema de que falamos. A evolução da tecnologia é inevitável e ainda que em sua infância, sabemos que o tempo voa, e em matéria de tecnologia não espera ninguém.

O uso da AI na medicina pode gerar muitos benefícios aos sistemas de saúde, cada vez mais pressionados, e, em situações como a atual pandemia. São a chave para diagnósticos mais precisos, menores custos, posto que acabam por evitar repetição e intervenções desnecessárias e maior eficiência no tratamento. O que torna o uso da tecnologia ainda mais atraente aos Estados que hoje precisam cada vez mais estar atentos à sua sustentabilidade.

Nesse passo será preciso buscar respostas e adequações a essa necessária evolução. A proteção ao direito à privacidade e aos dados em moldes muito rigorosos gera uma tensão com o desenvolvimento de tecnologias, não apenas para o uso em saúde, mas de um modo geral. Ao mesmo tempo que não imaginamos um cenário de não proteção absoluta, mesmo porque ainda somos incapazes de avaliar de modo consciente os riscos e as consequências de nossa embriaguez no mundo digital.

 

[1] Disponível em: https://healthanalytics.com/news/is-artificial-intelligence-mature-enough-to-combat-covid-19. Acesso em: 20 mar. 2020.

[2]Entrevista de Tschuan Chen ao The Wall Street Journal afirma que a despeito permissão para o uso da criatividade nos EUA, a China tem a vantagem na corrida pela tecnologia AI pelo massivo uso dos dados. Disponível em: <https://www.wsj.com/articles/which-country-is-winning-the-ai-racethe-u-s-or-china-1542039357>. Acesso em: 21 jan. 2020.

 

Imagem (geralt) gratuita em Pixabay

 

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