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Arte no feminino, tal coisa não existe.

Arte no feminino, tal coisa não existe.

Sendo verdade que na arte de algumas autoras como Paula Rego na pintura, como Colette na escrita, Maria Teresa Horta na poesia, Camille Athannaise, dit Claudel, na escultura, para exemplos, a condição do gênero facilite uma certa expressividade, nada impediria a nenhum homem de ter produzido semelhante arte com a mesma expressividade, como é igualmente verdade o oposto, qualquer mulher com igual talento seria capaz de fazer qualquer das obras de artes produzidas pelos homens. Logo essa ideia de uma arte como expressão do gênero, é um equívoco. A arte é agênera.

A presente discussão tem origem verbis no livro que assim se intitula, “Arte no feminino”, de Afonso Almeida Brandão, que queria dizer com esse título sem sentido, Mulheres artistas, referindo-se só às artes plásticas, não esqueçamo-nos que a Arte abrange um universo muito mais amplo, mas isso não importa para começarmos essa análise, nem o citado livro, que não é nada, é apenas um negócio, mas a ideia que passa seu título, esta sim, merece atenção e repúdio, por ter recentemente voltado à baila na discussão da arte disruptiva de Frida Kahlo, à conta de seu quadro “Diego y yo” que recentemente foi a leilão, onde discutiam a feminilidade da autora mexicana e suas manifestações.

Quererão alguns ver na maioria masculina no ofício das artes (o que em nossos dias se altera a velocidade galopante) ‘capitis diminutio’ para as mulheres, negando-lhes uma atitude crítica e interpretativa, mister, imprescindível mesmo, na Arte, esquecendo-se que assim foi, e infelizmente ainda é, em todos os setores da atividade humana por razões históricas, criadas artificialmente para controlar as fêmeas da espécie, temerários os machos de sua graça, que, muito ajudados pelas condições da procriação das fêmeas da espécie, com seus reflexos etológicos, o que dá excelente pretexto, sendo ideal mesmo para esse processo de exclusão, que o progresso histórico e as condições sociais vêm banindo a pouco e pouco.

Aquilo a que denominamos ‘ideleogia de gênero’ é um conceito com profundo sentido em qualquer área, e muito mais na das Artes, onde é que tem mesmo plenamente lugar, posto que a identidade de gênero sói contradizer o que se lhe, crê-se, terá atribuído a biologia, muita vez sem a devida contribuição fisiológica, aparentemente mister para a evidência desta identidade, revertendo desse modo qualquer pressuposto. Pois é mesmo nas artes que este conceito se esvanece, onde só os sentimentos contam, logo, lato sensu, qualquer diferenciação adjetiva é descabida, pela simples razão de prejulgar, ou pré-estabelecer, desse modo, querendo mesmo pre-definir uma manifestação absoluta de identidade do artista, muito para além de qualquer restrição de alguma ordem, o que não há. Em arte só a integridade do que fica manifesto, e o modo como isso nos toca e afeta em sua absoluta expressão, é o que importa, tudo o mais é acessório ou pre-conceito, e neste caso mais ainda, uma vez que a rede neuronal é a mesma em ambos os gêneros.

O argumentário que é muito vasto, desde a Academia ao Café da esquina, na percepção da Arte, define, o que significa que está implícito, as artes tocam longitudinalmente as diferentes sensibilidades, convocando-as, não as excluindo, não as adjetivando, nem tão pouco as apartando, e sua resposta é transversal. Sensibilidade é sensibilidade apenas, e quem sente e percebe, seja o que for, universaliza-o, do mesmo modo como quem os produz, logo haverá um ponto de fuga comum que implica essa universalização, e é só.

Corroboradas pela ciência, bem como pela filosofia, e mesmo pela religião (esta última tão excludente em outros campos) a percepção da realidade, bem como sua expressão, ou manifestação, artística, ou não, é um alvorecer intelectual, e bem sabemos que as faculdades intelectuais não conhecem gênero, onde possa haver características muito próprias da sensibilidade por esta ser a de um homem ou a de uma mulher, ainda que haja percepção diversa, aceitemo-lo, mas esta alguma diferença de sentir, que possa haver, não delineia, muito menos define a arte e/ou sua expressividade, ainda mais que esta costuma ultrapassar os limites da própria realidade.

Por fim a NEUROESTÉTICA.

Observando-se as reações das pessoas às artes, fica claro que não existe diferença de gênero. A Estética-empírica prova-o, e o estado muito particular que a Arte proporciona ao cérebro, revela, como afirmava Picasso, que ” O quadro vive através do Homem que o contempla,” e este Homem é mesmo com maiúscula, a significar a espécie humana, que comporta ambos os gêneros, senão ainda muitos mais, como cada vez mais se tem revelado.

P.S. Nesta questão de gêneros, e como eles são percebidos, tenho uma crônica que já foi muito editada em vários jornais e revistas em diferentes países, que para a semana estará aqui n’A Pátria.

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