Desenvolvimento Sustentável: construindo a definição – Parte III

Desenvolvimento Sustentável: construindo a definição – Parte III

Mesmo sendo o Desenvolvimento Sustentável um desafio para as mais diferentes organizações, sociedade e governos quanto a sua execução, os fatos mostram diariamente, que é este, o caminho inevitável e natural para a composição mundial de uma nova relação social. O Desenvolvimento Sustentável e a Solidariedade veem sendo reorganizados como partes distintas, por um tempo, estabelecendo padrões internacionais de conduta e decência para a cidadania mundial, governança, meios de comunicação e filosofias que silenciosamente formatam um novo código de conduta moral.

Embora a compreensão de solidariedade nas relações sociais esteja bem mais difundida e com reflexões mais profundas em uma perspectiva de aplicação comportamental apolítica e laica, quanto ao Desenvolvimento Sustentável não acontece o mesmo. É um conceito que ainda carece de formalização de seu significado, sua definição comum a todos e amplamente aceita, a ponto do sentido do termo ser reconhecido pela sua natureza. E é este o desafio que trabalhamos nos últimos artigos, uma definição para Desenvolvimento Sustentável que não se resuma a uma conclusão final, e sim abertura por meio da formulação inicial de uma tese para construção conjunta.

Consideramos anteriormente que o atual entendimento para Desenvolvimento Sustentável não é um conceito uniforme a todos os meios e, aqui, propusemos um novo modelo ao atual com sutis alterações ao que existe. A principal e maior mudança foi em incluir a cultura como uma dimensão tão necessária e imprescindível como a economia, meio ambiente e o social considerando-a dialeticamente quanto a sua importância. E na dimensão do meio ambiente as principais alterações foram: com o comprometimento da preservação ecológica, destacou-se que é dever assumirmos a responsabilidade por todo o planeta com e sem ação humana nos espaços; trouxe a responsabilidade desta dimensão ao senso individual, focando a necessidade de mudança no comportamento de consumo quanto às demandas do mercado de capital; e colocou-se o “homem” (como espécie) dentro do contexto de necessidade de preservação ambiental, a manutenção do planeta para as futuras gerações, como qualquer ser vivo dependente do equilíbrio dos ecossistemas.

Contudo nas relações de uns com os outros, é o único na dimensão social, incluindo todos os humanos independente de qualquer segmentação. Na dimensão econômica descentralizamos a atenção do capital de mercado econômico para às organizações, pequenas a multinacionais, onde a proposta de uma gestão e práticas administrativas acessíveis e comprometidas com a manutenção do todo passem a ser uma nova forma de gestão administrativa. Assim propomos:

Desenvolvimento Sustentável sf. é a gestão(1) das organizações(2), públicas e privadas, e dos cidadãos(3), que com base na solidariedade(4) garantam a liberdade e dignidade humana(5), a inalterabilidade do meio ambiente(6) e a disseminação do saber(7), em articulação conjunta de suas dimensões(8) por meio de ações positivadas(9).

Esta definição agora proposta é para o termo cujo compromisso não está em determinar sua natureza. Para compreender o sentido do ser, há necessidade do domínio de conceitos que se expandem em saberes multidisciplinares. Inicialmente o sentido, a natureza do termo desta proposta se compõe:

1. gestão: Desenvolvimento Sustentável é a correspondência para uma nova proposta para a Teoria Geral da Administração.

2. organizações: é a execução pragmaticamente por meio de ferramentas apropriadas a esta nova teoria.

3. cidadãos: sendo de gestão administrativa de múltiplos interesses, estende-se o conceito administrativo a todos e todas como práticas de comportamento social.

4. solidariedade: senso amplamente difundido na atualidade como nova filosofia para ações sociais de uma região ou globalmente, que tende a substituir correntes políticas, como socialismo, capitalismo e etc., para cidadãos que não desejam identificação com a prática política estabelecida, mas que trazem contribuições e participações sociais.

5. liberdade e dignidade humana: é baseado nos preceitos da Declaração Mundial dos Direitos Humanos.

6. inalterabilidade do Meio Ambiente: a sustentabilidade não é uma definição para a saudável exploração comercial da natureza e da espécie humana.

7. disseminação do saber: é por meio da educação que se consegue desenvolver verdadeiramente o indivíduo, oferecendo acesso a informação e capacitando-o para a leitura da natureza e cultura.

8. dimensões: as dimensões propostas para o Desenvolvimento Sustentável – Dimensão Meio Ambiente, Dimensão Cultural, Dimensão Social e Dimensão Econômica.

9. ações positivadas: estratégia de práticas que considere dentro do conjunto de decisões, entre ações positivadas e ações não positivadas, ações consistentes e contínuas a toda tomada de decisão.

Como observa-se, há um grande volume de assuntos distintos que se correlacionam para a execução do Desenvolvimento Sustentável. Para longe de ser um procedimento complexo, ainda assim exige que se tenha conhecimento de um todo, mesmo que não seja em profundidade. O objetivo não é mais a tecnicidade profissional, embora esta não tenha perdido a sua relevância, ao contrário, passa-se exigir dos técnicos e especialistas um conjunto de conhecimentos, para quando de suas proposições, além de eficazes e eficientes, atendam ao sentido da Sustentabilidade Expandida. Mas para o momento concluímos a exposição, mas não a discussão do tema, reconhecendo que o saber é uma construção do dia-a-dia e de indivíduo para indivíduo em contínua correspondência com o mundo. Mas precisamos seguir avançando nas reflexões e pesquisa, e a partir deste momento a proposta será de assuntos específicos, que tratados dentro de um só conteúdo, convidará aos leitores suas próprias buscas e, por meio deste veículo, considerações.

BIBLIOGRAFIA

ALMEIDA, Fernando. Os Desafios da Sustentabilidade, uma ruptura urgente. Editora Campus. Rio de Janeiro. 2007.

FREITAS, Marcílio; FREITAS, Marilene Corrêa da Silva. A Sustentabilidade como Paradigma, Cultura, ciência e cidadania. Editora Vozes. Petrópolis, RJ. 2016.

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