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A autenticidade dos contos de Miguel Torga

A autenticidade dos contos de Miguel Torga

Miguel Torga é um nome conhecido por muitos, tanto pelos seus poemas como pelos seus contos. A sua coletânea Novos Contos da Montanha oferece uma perspetiva diferente da vida nas terras montanhosas de Portugal. É uma brisa que reanima a alma portuguesa que a sente, assim como uma janela para quem quer descobrir a cultura dessas zonas do nosso país.

Novos Contos da Montanha

Em Novos Contos da Montanha, o autor dá a conhecer um estilo de vida em vias de extinção. Em geral, os contos exploram tanto a rotina diária das personagens (trabalho e relacionamentos) como eventos inesperados que afetam a calma de cada aldeia. Apesar da velocidade com que os acontecimentos tomam lugar em algumas páginas, as personagens parecem viver lentamente. A calma prevalece sempre no fim, mesmo tendo sido interrompida temporariamente.

Alguns contos fogem à estrutura narrativa em três partes: apresentação, desenvolvimento e desfecho. O propósito de certas histórias acaba por não ser totalmente claro, devido à ausência de uma ou mais dessas partes. No entanto, o facto de, na maioria dos casos, a apresentação ser quase inexistente é estimulante e surpreendente para o leitor. O diálogo é um dos pontos fortes da narrativa, sendo usado tanto para expor as personagens como para avançar o enredo.

Segundo nos escreve nos prefácios de Novos Contos da Montanha, Miguel Torga pretende não só mostrar a vida nas aldeias montanhosas portuguesas mas também “responsabilizar [o leitor] na salvação da casa que, por arder, te deslumbra os sentidos”. A questão do abandono do interior de Portugal, mais precisamente das zonas montanhosas, poderá estar na origem da intenção expressada pelo autor. Para além do abandono físico, pode-se também considerar o das nuances culturais de quem lá vive.

Esta coletânea é uma fotografia, se bem que encenada e editada, das aldeias montanhosas de Portugal no século XX. Para os portugueses, é uma forma de nos conectarmos ao nosso passado e ao interior montanhoso do nosso país. No caso dos leitores estrangeiros, embora muitas mensagens contidas nas entrelinhas e no diálogo sejam inevitavelmente perdidas, é uma forma de conhecer esta vertente da cultura portuguesa.

Miguel Torga

Adolfo Rocha, nome de batismo de Miguel Torga, nasceu a 12 de agosto de 1907 em São Martinho da Anta, uma aldeia transmontana portuguesa. Após uma infância de trabalho, tanto em Portugal como no Brasil, completou os três ciclos de liceu em apenas três anos e ingressou de seguida na Faculdade de Medicina da Universidade de Coimbra. Foi nessa altura que criou a sua primeira coletânea de sonetos e canções, Ansiedade, que decidiu não reimprimir após uma receção pouco favorável.

O heterónimo Miguel Torga surgiu em 1934 com a publicação de A Terceira Voz. Após viajar por Espanha, Itália e França, regressou a Portugal, casando-se com a belga Andrée Crabbé em 1940 e mudando-se novamente para Coimbra. Em 1941, publicou a coletânea de contos Montanha, seguida em 1944 pela coletânea Novos Contos da Montanha.

Continuou a dedicar-se à literatura, à política e às viagens, não só por Portugal mas também pelo estrangeiro. A sua bibliografia é extensa e principalmente composta por poesia e prosa. Tanto Adolfo Rocha como Miguel Torga morreram a 17 de Janeiro de 1995, aos 85 anos.

Imagem: Biblioteca Nacional de Portugal

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