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Figos à Janela

Figos à Janela

Velha Figueira, que brotou em minhas terras,
Teus galhos tortos ao meu telhado se estendem,
Suas velhas folhas acobertam minha sacada,
A tua fúria contorceu o meu alpendre.
 
Por tua causa, oh Figueira presunçosa
Não vejo mais o rubro entardecer,
Nem sinto mais as tardes chuvosas
Tu me privas? Ou quereis me proteger? 
 
Figueira altiva, acolhestes animais!
Aves e roedores fazem seus ninhos em ti,
Mas tu roubaste, Figueira, minha Paz,
Migrando foi-se para bem longe de mim.
 
Egoísta Figueira, devolva-me o Sol!
Deixe penetrar o luar de outrora,
Não me sufoques com tuas garras esverdeadas,
Sinto saudades do brilho da aurora.
 
Só não a corto, Figueira imponente,
Pois embora vil, tua generosidade é bela!
Negas-me a paisagem dos tempos e estações. 
Mas seduz-me com figos à janela. 
Imagem: Adriana Varejão. Sereias bêbadas. 2009. Coleção Airton Queiroz.

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