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“Bebam Coca-cola!”

“Bebam Coca-cola!”

E venceu a mediocridade! Mas a América é mediocre. Em contraste com uma sociedade brilhante, rica, culta, ativa, em cujas franjas se produzem os Trumps dessa vida, os USA têm sua outra face, que é a que paga os Trumps dessa vida. E aí sua raiva e sua mediocridade. E porque não há uma revolução? Ou porque não há constante instabilidade, como na Europa? Porque  nos USA eles acreditam numa coisa inexistente, mas sempre possível, a que chamam “The American dream”, e na expectativa desse sonho americano soerão acontecer muitas coisas, e a principal delas será manter a maioria silenciosa, bem silenciosa!

E foi exatamente essa maioria, que inclusive tinha vergonha de se declarar por Trump, que o elegeu. O elegeu porque acreditará firmemente que ele é um deles, “one of them’. . . Quão distantes estarão da verdade? Não importa nada, importa que se creia, e Bebam Coca-Cola.

E é isto que nos leva ao ‘hard core’ do artigo. Venceu uma marca, exactamente como ele geriu seus negócios, desde quando se apercebeu que a marca Trump era mais importante que as empresas Trump, que, aliás, naquele momento, estavam tecnicamente falidas, mas a marca, algo imaterial, uma ideia, um emblema, um ex-libris, era o que valia muito, e os bancos entenderam que sim, que deviam dar uma chance para que a marca salvasse as empresas, e pagasse as dívidas. E foi o que aconteceu. Agora a marca põe o seu proprietário no mais alto posto da nação, por vender a ideia de que qualquer um pode se alçar, que a sua raiva, o seu rosnar, como o de Trump, será ouvido, e, por essa razão, ele obteve os seus votos.

Venceu a falácia, não a diminuo por ser medíocre, de modo algum, pois ela é e será tão inútil e inoperante como a idêntica falácia do Sr. Obama, recheada dos mais lindos discursos que já se viu serem pronunciados por um homem a caminho, e na Casa Branca. (56% de popularidade ao término do mandato.) Num ou noutro sentido, por falta de palavras de futuro, ou por excesso delas, temos a mesma falácia. É claro que a beleza de um discurso bem construído, e a projeção (espargimento) de esperanças, aquece mais o coração do que o rosnar rancoroso de um cão raivoso, mas, agora sabemos, ambos asfaltam o caminho ao salão oval. Por acender esperanças, ou por concitar ódios,  pode-se ascender. Hitler já o tinha comprovado.

Por fim as minhas previsões feitas no artigo ‘Bush feriu o elefante, Trump o vai enterrar’, mais que se confirmaram com sua vitória, porque, como homem de fora do sistema, ainda que tenha carreado os Republicanos para uma estrondosa vitória eleitoral a todos os níveis, perdeu muitas cadeiras e destruiu tudo aquilo que simbolizava o partido republicano, porque ele não representa a marca republicana, ele representa a marca Trump, e é disso que se trata aqui. Mas os congressistas republicanos eleitos, temem verdadeiramente se indisporem, por qualquer forma, com o seu eleitorado, e o seu eleitorado está cheio de gente cheia de ódio, que vai empurrando a realidade na esperança de atingir o The American dream, e, como muitos finalmente o atingem, continuam a remar. Quando aparece alguém que lhes diz que sua revolta é justa, que seu ódio é certo, o adotam, e como filho dilecto.

Quando o Kremlim confirmou os contactos de Donald Trump com Putin, ficamos a saber que havia mentido aos eleitores, mas ninguém fará nada, faz parte do jogo eleitoral aceito por todos, complacentemente. E, com essa aceitação, revela-se toda a podridão de um sistema podre, que um espertalhão out-sider soube manipular, e com a exitosa manipulação é aceito e admirado, realizou o sonho americano ao mais alto nível, não importa se mentindo, enganando, falseando, corrompendo, o que importa é ter ganho. A vitória de Trump desacredita os media, os políticos, os artistas, as sondagens e o sistema. É a corrupção no ponto mais alto do que pode ser corrupção. Sem sentimentos, sem dignidade, sem compromissos com os eleitores, sem qualquer responsabilidade, sem vínculos, diz uma coisa e à seguir o seu contrário, é sem ideias e sem ideal.  Até o Papa Francisco o excomungou, declarando que não era cristão.

O poder é para si e seu grupo, para os demais, à cubana, segue o chachachá: “Toma Coca-Cola! Y Paga lo que debes!”

Imagem (BruceEmmerling) de uso gratuito em Pixabay

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