Prezado leitor e prezada leitora,
Hoje, ao escrever estas linhas, convido você a ter contato com o meu lado mais sincero e honesto. Procurarei escrever da forma mais clara e direta possível, expressando minhas dúvidas, escolhas e agonias sem compromisso com a política de direita ou de esquerda. Serei apenas eu e meus pensamentos — mulher, mãe, filha, esposa e amiga — na busca de respostas que me levem a escolhas conscientes. Afinal, em breve estarei diante de uma urna eletrônica, escolhendo não apenas nomes, mas o futuro representado por seis cargos:
- Um Deputado Federal
- Um Deputado Estadual (ou Distrital)
- Dois Senadores
- Um Governador
- Um Presidente da República

Sim, o tema de hoje é a eleição brasileira. Mas não abandone esta leitura. Dê-me a chance de conversarmos — sem que ninguém nos ouça ou julgue — sobre algo que tem o poder de transformar nossas vidas radicalmente.
Antes de tudo, vale lembrar que vivemos em uma democracia e o voto no Brasil é secreto: somente você saberá o que assinalou na urna. Podem dizer o que quiserem, mas, no final, a decisão é exclusivamente sua.
Pensando na responsabilidade que compartilho com 158,7 milhões de eleitoras e eleitores, resolvi dividir com você uma lista de demandas que considero vitais para qualquer candidato aos cargos acima, especialmente ao de Presidente da República:
- Educação: Enquanto pesquisadora e educadora, sei que é preciso promover uma educação de base sólida para nossos jovens. Muito antes de falar em profissão, empreendedorismo ou modelos de gestão, precisamos priorizar a alfabetização, a interpretação de texto, o ensino das ciências e a verdadeira liberdade de escolha — que só existe para quem conhece e compreende o mundo em que vive. Escola deve ser lugar de alegria pelo saber, e não espaço para punição ou limitação.
- Saúde: O SUS (Sistema Único de Saúde)[1] é uma referência mundial. Longe de ser perfeito, exige uma gestão central profundamente comprometida com a Ciência e com a vida da população. Do contrário, corremos o risco de ver governos autoritários omitindo-se na esperança perversa de “enxugar” a máquina pública à custa dos mais vulneráveis — uma tragédia que quase vivemos na recente pandemia de COVID-19.
- Segurança: Quero e preciso transitar sem medo pelas ruas do meu país. Talvez esse desejo pareça utópico, mas sei que é legítimo. O policiamento nas ruas é fundamental, mas isoladamente não resolve a questão. Construir novas penitenciárias tampouco soluciona o problema; frequentemente, elas se transformam em universidades do crime organizado, onde o detento é cooptado por facções para garantir a integridade de sua família. Mais presídios apenas alimentam esse ciclo vicioso. A verdadeira resposta exige políticas sociais de base capazes de estruturar as famílias menos favorecidas, oferecendo dignidade, oportunidade e proteção aos seus filhos.
- Cultura: É a espinha dorsal de uma civilização. Estimula a plasticidade cerebral, favorece novas conexões neurais e amplia a nossa capacidade de enxergar o mundo com criatividade. Um país que investe em cultura democrática e acessível promove qualidade de vida no presente e no futuro, afastando nossas crianças da vulnerabilidade das ruas por meio de atividades que fortalecem a saúde física e mental de toda uma geração.
- Liberdade: Uma palavra fundamental para a condição humana, mas que pressupõe responsabilidade e compromisso social. Só somos verdadeiramente livres quando vivemos em uma sociedade que respeita as diferenças, as escolhas individuais e a verdade. Quando há dignidade para todos, o ódio, a violência e a polarização perdem o seu espaço.
- Polarização: Essa palavra que se tornou tão presente no nosso cotidiano tem provocado estragos profundos: separa famílias, afasta amigos e divide a sociedade em guetos, alimentando o ressentimento. Você já parou para pensar se não está sendo manipulado por esse movimento? Já tentou olhar para os candidatos resgatando a trajetória e o histórico de cada um? O passado deles é coerente com o que prometem hoje? Vamos olhar mais uma vez — e com mais cuidado?
- Gestão Financeira: Um país que não cuida de sua saúde financeira compromete o futuro das próximas gerações. No entanto, o rigor orçamentário não deve servir de desculpa para o abandono social. É preciso ser capaz de equilibrar o orçamento público com investimentos estratégicos em infraestrutura, tecnologia e serviços essenciais, garantindo que o dinheiro arrecadado dos nossos impostos retorne em benefícios reais e perceptíveis para toda a sociedade.

Por fim, como mulher, mãe e filha, preciso considerar as questões que afetam diretamente a mim e à minha família. Tenho medo do armamento da população — temo pelo meu filho. Tenho medo de uma sociedade movida pelo ódio — temo pelo futuro dos meus. Tenho medo de um governo que dê as costas aos mais vulneráveis — temo pela minha mãe.
Nós mulheres por sermos a força geradora da vida, tememos os mandos e desmandos do poder. Tradicional pilar da sociedade humana, trazemos um olhar que enxerga além e um peito que sente, de longe, quando os nossos correm perigo.
Desejo uma ótima eleição para todos os brasileiros e brasileiras, que ganhem as melhores escolhas!
[1] Saiba mais em: https://www.gov.br/saude/pt-br/sus — Acesso em 01/10/2026.
[2] Saiba mais em: https://ufpr.br/elas-ocupam-94-anos-do-voto-feminino-no-brasil/ — Acesso em 01/10/2026.